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LIC?A?O 07 – JOSE?: FE? EM MEIO A?S INJUSTIC?AS

Publicado em 27 nov 2016

Texto: (Gn 37.1-11)

INTRODUC?A?O

O livro do Gênesis contém cinquenta capi?tulos, sendo que treze sa?o dedicados a histo?ria de Jose?, igualando-se ate? mesmo a histo?ria do patriarca Abraa?o. Nessa lic?a?o teremos a oportunidade de aprender informac?o?es adicionais sobre Jose?; pontuaremos algumas injustic?as que ele viveu; e acima de tudo e veremos a importa?ncia da sua fe? em Deus para superar as injustic?as e tambe?m pontuaremos que muitos tomam Jose? como um tipo de Cristo; uma pessoa inocente que sofreu por causa da maldade dos outros e, atrave?s do qual, o povo escolhido foi liberto da morte certa. O sile?ncio de Jose? enquanto seus irma?os deliberam seu destino (Gn 37.12-35) prefigura o sile?ncio de Cristo perante seus jui?zes (1Pe 2.23).

I – DEFININDO FE? E INJUSTIC?A

1.1 Fe?. A palavra fe? no hebraico e? “heemim” e no grego e? “pisteuo?”. A Bi?blia diz que “a fe? e? o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se na?o ve?em” (Hb 11.1). “E? a confiança que depositamos em todas as provide?ncias de Deus. E? a crenc?a de que Ele está? no comando de tudo, e que e? capaz de manter as leis que estabeleceu. E? a convicc?a?o de que a sua Palavra e? a verdade. Enfim, e? a tranquilidade que depositamos no plano de salvac?a?o por Deus estabelecido, e executado por seu Filho no Calvário” (ANDRADE, 2006, p. 188). A palavra “Fe?” possui diversos significados, que sera?o definidos de acordo com o contexto onde está? inserida. O diciona?rio Houaiss (2010, p. ) define a palavra como:“crenc?a religiosa, confianc?a absoluta, comprovac?a?o e testemunho”. No AT a palavra “emunah” e? traduzida por fidelidade, certeza. De modo geral e? aplicada na relac?a?o entre Deus e Israel onde se exige de Israel uma atitude de fidelidade para com o Senhor (2 Cr 19.9; Dt 32.4; Sl 33.4; 119.30,86; Pv. 28.20). Ja? no NT a palavra “pistis” e? traduzida primariamente por persuasa?o firme, convicc?a?o fundamentada no ouvir, sendo sempre usada no NT acerca da fe? em Deus, Jesus ou coisas espirituais, podendo ser utilizada como confianc?a (Rm 3.25; 1Co 2.5; 15.14,17; 2 Co 1.24; Gl 3.23); fidedignidade, fidelidade e lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10); crenc?a, corpo de doutrina (At 6.7; 14.22; Gl 1.23; 3.25).

1.2 Injustic?a. O Aure?lio diz que injustic?a e?: “falta de justic?a, ac?a?o ou coisa injusta, atitude sem fundamento” (FERREIRA, 2004, p.1108). Ser injustic?ado e? uma das coisas mais dolorosas de se enfrentar. Ao lermos a histo?ria desse patriarca, perceberemos de que ele foi vi?tima de va?rias injustic?as: a) Invejado e vendido por seus irma?os (Gn 37.11, 26 – 28); b) Acusado e preso injustamente (Gn 39.13-20); c) Esquecido por quem lhe devia gratida?o (Gn 40.23), etc. Apesar de tudo, Jose? na?o nutriu em seu corac?a?o, o sentimento de indignac?a?o e revolta que geralmente toma conta de quem e? alvo de injustic?as, antes, revelou sua fe? em Deus na?o permitindo que nenhuma raiz de amargura crescesse em seu corac?a?o (Hb 12.15; Ef 4.31).

II – INFORMAC?O?ES SOBRE JOSE?

Jose? com certeza e? um dos grandes exemplos que encontramos na Bi?blia, quando pensamos sobre a necessidade de vencer as injustic?as de nossos dias. Seu nome reflete o papel de sua vida na nac?a?o de Israel. Foi o agente de Deus na preservac?a?o e na prosperidade de seu povo no Egito, durante o peri?odo de fome na terra de Canaa?” (GARDNER, 1999, p. 377 – acre?scimo nosso).Vejamos ainda algumas informac?o?es que devemos considerar sobre ele:

2.1 Seu nascimento. Jose? era filho de Raquel, a esposa amada de Jaco? (Gn 29.18-20,30). Seu nascimento foi celebrado por sua ma?e (Gn 30.22-24). Jose? e? descendente de um cla? de patriarcas escolhido por Deus para iniciar a linhagem piedosa da qual nasceria o Messias (Gl 3.8,16,18). A primeira refere?ncia a Jose? se da? como resposta da orac?a?o de Raquel e como consolo divino diante do opro?brio que ela vivia por na?o gerar filhos (Gn 29.31; 30.22-24); O nome Jose? vem de uma palavra hebraica que significa: “Yahweh acrescentara?” ou “Yahweh adicionara?”; ele foi o de?cimo primeiro filho de Jaco? e o primeiro de sua esposa favorita, Raquel.

2.2 A predilec?a?o de seu pai. Em func?a?o de ser Jose? filho de sua amada esposa Raquel (Gn 29.20, 30); bem como ser filho de sua velhice, Jaco? destina um amor diferenciado a Jose? em relac?a?o aos demais filhos (Gn 37.3); e declara-o ao lhe presentear como uma “tu?nica de va?rias cores”. A tu?nica chegava aos calcanhares e tinha mangas longas. Era a vestimenta usada por governantes ricos, e nem o pastor mais bem-vestido, precisaria de algo do ge?nero para trabalhar nos campos. E? prova?vel que fosse a forma de dizer que havia escolhido Jose? para ser seu herdeiro (WIERSBE, 2006, p.181).

2.3 Sua conduta em contraste a de seus irma?os. Ainda jovem Jose? se destaca no ambiente familiar em raza?o de sua conduta exemplar como filho, ja? que seus irma?os na?o tinham uma boa reputac?a?o (Gn 37.2). Essa ma? “fama” que se divulgava de seus irma?os, por certo eram baixas qualidades morais, pelas quais seus irma?os eram conhecidos; fato que pode ser visto na conduta de Juda?, que casou-se com uma cananeia e todo o seu procedimento e? descrito no capi?tulo 38. A integridade de Jose? pode ser vista em va?rias fases de sua vida, e em func?a?o disso vemos Deus revelando desde cedo, o grande projeto para com ele (Gn 37.2, 5-11).

2.4 Sua comunha?o com Deus. Ale?m de ser alvo da promessa divina, vemos Jose? experimentando uma comunha?o estreita com Deus. Em meio a?s dificuldades que marcaram a sua trajeto?ria, notamos a companhia de Deus em cada momento mostrando a sua pessoalidade (Gn 39.2,3,21,23; At 7.9). Deus na?o impede as lutas na vida de Jose?, mas garante sua presenc?a fazendo-o prosperar. Quem serve a Deus prospera ate? mesmo na servida?o. Na?o sabemos o prec?o que Potifar ofereceu por Jose?. Mas logo descobriria ter adquirido um bem mui valioso, pois tudo o que o jovem hebreu punha-se a fazer prosperava (Gn 39.6,7). Quem serve a Deus prospera em qualquer circunsta?ncia (Sl 1.3).

III – A FE? COMO MEIO DE SUPERAR AS INJUSTIC?AS

Jose? era bisneto de Abraa?o, amigo de Deus. A? semelhanc?a de seu pai, Jaco?, e do avo?, Isaque, era um homem de profundas experie?ncias com o Senhor. A seu modo, era um profeta e um especialista em sonhos. Por causa da sua Fe? em Deus, Jose? triunfou em meio as injustic?as das quais foi alvo. Seu nome foi elencado na galeria dos “Hero?is da Fe?” da epi?stola aos Hebreus (Hb 11.22). Notemos atitudes que tornam evidente a sua fe?:

3.1 Fe? tendo integridade na casa dos pais. A fami?lia de Jaco? passou por diversas crises: a) rixas entre as irma?s, Le?ia e Raquel (Gn 29.33; 30.1,8); b) injustic?as (Gn 31.41) e intrigas financeiras (Gn 31.1); c) propensa?o a? idolatria (Gn 31.34); e d) traic?a?o, viole?ncia, imoralidade e invejas (Gn 34.25-30; 35.22; 37.11). Diante desse contexto, que tipo de cara?ter Jose? poderia ter? Entretanto, ele e? um exemplo de que e? possi?vel, com a grac?a divina, manter-se puro e i?ntegro, mesmo convivendo com pessoas de comportamento reprova?vel (Fp 2.15).

3.2 Fe? para se manter fiel (Gn 39.7-12). Sua fidelidade a Deus e ao seu patra?o eram o suficiente para ele na?o ceder a tentac?a?o (Gn 39.8,9). A esposa de Potifar insistiu em convida?-lo a pecar, mas ele resistiu “[…] falando ela cada dia a Jose?, e na?o lhe dando ele ouvido”[…] (Gn 39.10). Na?o se dando por satisfeita, a mulher de Potifar tramou ficar sozinha com ele em determinada ocasia?o; foi ao seu encontro para forc?a?-lo a coabitar com ela, mas a resoluc?a?o de Jose? o fez fugir daquela investida (Gn 39.12-b). A mulher ardendo em ira acusou-o diante de seu marido e funciona?rios dizendo que Jose? havia tentado molesta?-la. Ele foi sentenciado a cadeia por este ta?o grande mal (Gn 39.14-20). “A punic?a?o menor, dada a Jose?, de acordo com os inte?rpretes judeus, significou que Potifar acreditou em Jose?, mas, a fim de poupar sua esposa de maior embarac?o, sacrificou-o, embora por meio de um castigo mais brando do que seria de se esperar” (CHAMPLIN, 2001, p. 246). Sejamos fie?is a Deus custe o que custar (Pv 3.3; Dn 3.17,18; 6.3,4,22; Ap 2.10).

3.3 Fe? para testemunhar (Gn 41.33-36). Apo?s dois anos na cadeia, Jose? foi chamado por Farao? para interpretar o sonho que este monarca teve. Jose?, quando interpelado por Farao? se tinha a habilidade de interpretar sonhos ele respondeu: “Isso na?o esta? em mim; Deus dara? resposta de paz a Farao?” (Gn 41.16). Deus e? proclamado diante do temido Farao?, por aquele que tinha tudo para se omitir em virtude do que havia passado. O Soberano do universo e? quem domina sobre tudo e sobre todos, foi a mensagem de Jose?: […]“porque esta coisa e? determinada de Deus, e Deus se apressa a faze?-la” (Gn 41.32).

3.4 Fe? para perdoar (Gn 45.1-5). Os sete anos de abunda?ncia sobrevieram a terra do Egito como fora predito, e agora, os sete anos de fome comec?avam a chegar. Segundo o que estava previsto, a fome foi ta?o grave que superou os anos de prosperidade. Ela atingiu na?o somente o Egito, como tambe?m todas as terras (Gn 41.57). Segundo o Dr. Norman Champlin (2001, p. 257): “Na?o foi o globo terrestre inteiro, mas a terra conhecida pelo autor do livro de Ge?nesis, ou seja, o Egito, a Ara?bia, a Palestina e a Etio?pia, as nac?o?es que pediriam socorro ao Egito”. E? nesse momento que a descende?ncia de Jaco? vem ao Egito a fim de pedir socorro a Farao?, sem saber que Jose? era o seu administrador. Jose? reconhece os seus irma?os, beneficia-os e depois de prova?-los revela-se como irma?o deles e os perdoa por sua maldade (Gn 45.1-5). O perda?o e? uma caracteri?stica presente na vida daquele que tem o amor de Deus em seu corac?a?o (Mc 11.25; Ef 4.32; Cl 3.13).

3.5 Fe? para crer nas promessas. Apesar de ter abrigado Jaco? e seus descentes confortavelmente em Go?sen no Egito, Jose? sabia que o seu povo na?o ficaria ali para sempre. Ja? pro?ximo da sua morte, Jose? deu duas declarac?o?es que merecem ser destacadas: 1) a profecia de Jose? (Gn 50.25a). Este servo do Senhor conscientizou os hebreus que no tempo certo Deus interviria tirando-os do Egito, para conduzi-los de fato a uma terra permanente; e, 2) a esperanc?a de Jose? (Gn 50.25-b). Jose? deixou o mundo dando testemunho de sua fe? na promessa de que Israel voltaria a Canaa?, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para a Palestina. Isto foi realizado anos mais tarde por Moise?s e Josue? (E?x 13.19; Js 24.32).

CONCLUSA?O

A biografia do patriarca Jose? e? uma das mais belas e inspiradoras. “A sua histo?ria e? ta?o notavelmente dividida entre a sua humilhac?a?o e a sua exaltac?a?o, que podemos ver nela alguma semelhanc?a com Cristo, que primeiro foi humilhado e depois exaltado. Em muitos casos, Jose? tipificou o Senhor Jesus” (HENRY, 2010, p. 178). “A histo?ria de Jose? nos revela como os descendentes de Jaco? vieram a ser uma nac?a?o dentro do Egito. Esta sec?a?o de Ge?nesis na?o somente nos prepara para a narrativa do e?xodo do Egito, como tambe?m revela a fidelidade que Jose? sempre teve para com Deus, e as muitas maneiras como Deus protegeu e dirigiu a sua vida para o bem doutras pessoas. Ressalta a verdade de que os justos podem sofrer num mundo mau e ini?quo, mas que, por fim, triunfara? o propo?sito de Deus reservado para eles” (STAMPS, 2006, p. 90).

REFERE?NCIAS
• ANDRADE, Claudionor de. Diciona?rio Teolo?gico.CPAD.
• CHAMPLIN, R. N. Diciona?rio de Bi?blia, Teologia e Filosofia. HAGNOS

. STAMPS, Donald C. Bi?blia de Estudo Pentecostal. CPAD.


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