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LIC?A?O 09 – O MILAGRE ESTA? EM SUA CASA

Publicado em 27 nov 2016

Texto: (2 Rs 4.1-7)

INTRODUC?A?O

Veremos nesta lição o que motivou o milagre na casa daquela viu?va de 2Reis 4, e pontuaremos que Deus sempre age a partir da necessidade humana mostrando seu amor e sua miserico?rdia. Falaremos dos meios pelos quais o Senhor utiliza-se para prover o socorro necessa?rio no momento da necessidade, e por fim, estudaremos os instrumentos que Deus usa para a realizac?a?o do milagre e quais os propo?sitos deste na vida de seus servos.

I – O QUE MOTIVOU O MILAGRE

Eliseu conhecia o homem em questa?o e sabia que era reputado por sua piedade. O historiador judeu Fla?vio Josefo explica que essa mulher era a viu?va de Obadias (HAYFORD, 2001, p. 388). Dele se diz que “temia muito ao Senhor” (1 Rs 18.3). A expressa?o “filhos dos profetas” (2Rs 4.1-a), faz refere?ncia a? organizac?a?o dos que eram profetas verdadeiros, aqueles chamados por Deus, em escolas que estavam em Gibea? e Naiote, onde talvez fossem supervisionados por Samuel (1Sm 10.10; 19.20). Em 2Rs 6.1-4 ha? um relato sobre a edificac?a?o de tal escola, e Elias foi o li?der desse grupo em particular. De acordo com a lei hebraica, um credor poderia tomar de um devedor os seus filhos como servos, mas na?o deveria trata?-los como escravos (E?x 21.1-11; Lv 25.29-31; Dt 15:1-11; Jr 34.9). Seria uma grande tristeza para aquela mulher perder o marido para a morte e os dois filhos para a servida?o, mas Deus e? aquele que “faz justic?a ao o?rfa?o e a? viu?va” (Dt 10.18; Sl 68.5; 146.9) e enviou Eliseu para ajuda?-la (WIERSBE, 2010, p. 503). Vejamos como Deus age:

1.1 Na necessidade humana. As be?nc?a?os de Deus ve?m em resposta a uma necessidade humana. O milagre ocorrido na casa da viu?va de um dos disci?pulos dos profetas confirma esse fato (2Rs 4.1-7). O texto expo?e a extrema penu?ria na qual essa pobre mulher havia ficado. Perdera o marido, que havia falecido, e agora corria o risco de perder tambe?m os filhos para os credores se na?o quitasse a di?vida. Essa mulher, portanto, necessitava urgentemente que alguma coisa fosse feita para tira?-la daquela situac?a?o. A Escritura mostra que o Senhor sempre socorre o necessitado (Sl 12.5; 40.17; 69.33; Is 25.4; Jr 20.13). Devemos apresentar as nossas petic?o?es a Deus, pois Ele cuida de no?s (E?x 22.22-23; Fp 4.6; 1Pe 5.7).

1.2 No amor divino. O milagre ocorrido na casa da viu?va aconteceu como resposta a uma care?ncia humana, mas na?o apenas isso: ocorreu tambe?m grac?as a? compaixa?o divina. Na?o foi apenas por ser pobre que a viu?va foi socorrida, nem tampouco por haver sido esposa de um dos disci?pulos dos profetas (2Rs 4.1). O texto diz que ela “clamou” ao profeta Eliseu (2Rs 4.1). O termo hebraico que traduz essa palavra e? “tsaaq”, que possui o sentido de “clamar por ajuda, chorar em voz alta”. O profeta ficou sensibilizado e Deus compadeceu-se daquela mulher sofredora. O Senhor e? compassivo, misericordioso e longa?nimo para com seus servos e servas (E?x 34.6; 2Cr 30.9; Sl 116.5).

1.3 Na miserico?rdia divina. A Lei de Moise?s permitia aos credores levar os filhos dos endividados como escravos para pagar a di?vida, mas colocava um limite de seis anos de escravida?o e exigia que os sujeitados fossem tratados como trabalhadores dignos (E?x 21.1-6; Lv 25.39-55; Dt 15.12-18). Por este motivo, a viu?va na?o viu outra sai?da, a na?o ser clamar pela miserico?rdia divina. A palavra miserico?rdia, “hesedh”, no hebraico, aponta para uma caracteri?stica do cara?ter de Deus e significa: “benevole?ncia, benignidade, compaixa?o, bondade, fidelidade, amor e benefice?ncia”. E? dessa forma que Deus olha para os necessitados (Sl 12.5). O clamor daquela viu?va sensibilizou o corac?a?o de Deus, que se moveu para ajuda?-la (2Rs 4.1-7). Ningue?m recebe um milagre por merecimento, sena?o, por miserico?rdia. O Senhor Deus e? o nosso defensor, ele mesmo revela ser o refu?gio (Sl 14.6; Is 25.4), o socorro (Sl 40.17; 46.1; 70.5; Is 41.14), o libertador (1Sm 2.8; Sl 12.5; 34.6; 113.7; 35.10; cf. Lc 1.52,53) e provedor (Sl 10.14; 68.10; 132.15).

II – OS MEIOS PARA O MILAGRE

Como seres humanos, temos muita dificuldade em valorizar coisas pequenas. Mas esse milagre nos ensina a preciosidade de observar essas coisas (1Co 1.27). Na lo?gica e na visa?o humana e? a vasilha (que e? maior) e? que enche a botija (que e? menor). Pore?m aqui as posic?o?es esta?o inversas. E? costume primeiro pensar que o pequeno sempre recebera? do grande. Todavia, nesse milagre, e? o pequeno quem da? a vida, quem e? a fonte, e? o pequeno que visto como nada e? quem se sobressai. Notemos quais os meios para o milagre acontecer na casa desta viu?va:

2.1 Atrave?s de um pouco de azeite. Diante do clamor da viu?va, o profeta Eliseu perguntou-lhe: “Que te hei de eu fazer? Declara-me que e? o que tens em casa. E ela disse: Tua serva na?o tem nada em casa, sena?o uma botija de azeite” (2Rs 4.2). Duas coisas precisam ser observadas aqui: Em primeiro lugar, o milagre acontece na esfera familiar: “o que tens em casa”. O lar e a fami?lia sa?o importantes para Deus. Em segundo lugar, um pouco pode tornar-se muito se vem com a be?nc?a?o de Deus. De fato o texto destaca que a porc?a?o de azeite da mulher era ta?o minguada que ela quase esqueceu que o possui?a. No entanto, foi esse pouco que o Senhor usou para operar o grande milagre. O que possui?mos pode ser bem pouco, mas e? suficiente para Deus operar os seus propo?sitos (1Rs 17.12-16; 2Rs 4.42-44; Mt 14.15-21).

2.2 Atrave?s de uma fe? obediente. A instruc?a?o dada pelo profeta Eliseu para solucionar o problema da viu?va e? bastante reveladora sobre a dina?mica desse milagre (2Rs 4.3-5). Num primeiro momento, o profeta chamou a mulher a? ac?a?o: “Vai, pede para ti vasos emprestados”. Isso nos mostra que a fe? e? demonstrada pela ac?a?o (Tg 2.17). Jesus tambe?m viu a fe? do parali?tico e dos homens que o conduziram em Cafarnaum (Mc 2.1-12). Em segundo lugar, o milagre deveria acontecer de portas fechadas: “fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos…”, disse o profeta. Como a necessidade da viu?va era particular, a provisa?o tambe?m seria privado. Ale?m disso, a ause?ncia de Eliseu demonstrou que o milagre aconteceu apenas pelo poder de Deus e na?o por causa do profeta (MACARTHUR, 2010, p. 479 – acre?scimo nosso).

2.3 Atrave?s daquilo que na?o e? aparente. Uma atitude de fe? sempre estara? alicerc?ada na espiritualidade e na sensibilidade (Gl 5.16; Tg 2.18). Essa mulher estava desesperada, com medo de perder seus filhos, por isso, na?o po?de ver que o pouco azeite daquela botija era a fonte para sanar suas di?vidas. O milagre partiu de onde ela menos imaginava, e aconteceu quando ela tirou de onde aparentemente na?o havia nada, um sinal de que na?o podemos esperar ter para depois entregar, e isso nos ensina que e? do nada que Deus tira o tudo que precisamos (Rm 4.17-b; Hb 11.3).

III – OS INSTRUMENTOS DO MILAGRE

A lei israelita permitia, como forma de protec?a?o ao credor, que se tomasse os filhos dos devedores, para que trabalhassem ate? que a di?vida fosse paga. Mas em Deuterono?mio 15.1-18, ha? uma ressalva para que isto na?o fosse feito em tempos de fome ou grandes necessidades (WIERSBE, 2010, p. 503). Pontuemos como Deus atua para o milagre:

3.1 Atrave?s do instrumento humano. Por va?rias vezes, no livro de 2 Reis, o profeta Eliseu e? chamado de “Homem de Deus” (2 Rs 4.7,9,16; 6.9). Sem du?vida esses textos demonstram que Eliseu era um instrumento de Deus para a operac?a?o de milagres. Esse e? um fato fartamente demonstrado na Bi?blia. Para formar uma nac?a?o e atrave?s dela revelar seu plano de salvac?a?o a? humanidade, o Senhor chamou Abraa?o (Gn 12). Para tirar os israelitas do Egito, Deus usou Moise?s (E?x 4.1- 17). Para levar a mensagem do Evangelho aos gentios, o Senhor usou a Pedro (At 10 – 11). Deus tambe?m chamou a Paulo para ser “um instrumento escolhido” para levar seu nome perante os nobres (At 9.15). Para salvar-nos, Deus humanizou- se na pessoa bendita de Jesus Cristo (Jo 1.1,14,18; Fp 2.1-11).

3.2 Atrave?s do instrumento divino. Quando uma grande fome assolava Samaria, o profeta Eliseu profetizou abunda?ncia de alimentos (2Rs 7.1). O cumprimento dessa profecia parecia pouco prova?vel naqueles dias, a ponto de o capita?o, em cujo brac?o o rei se apoiava, haver ironizado: “Ainda que o Senhor fizesse janelas no ce?u, poder-se-ia fazer isso?” (2Rs 7.2). Mas a profecia cumpriu-se exatamente como Eliseu havia predito (2Rs 7.16-20). O texto po?e a Palavra do Senhor como agente causador do milagre. O cronista observa que esses fatos ocorreram “segundo a palavra do Senhor” (2Rs 7.16). O que o Senhor faz, Ele o faz atrave?s de sua Palavra (Gn 1.3; Is 55.10,11; Lc 5.4-6; Hb 4.12).

IV – OS PROPO?SITOS DO MILAGRE

4.1 Uma resposta ao sofrimento humano. Todos os milagres realizados por Eliseu deixam bem claro que eles ocorreram em resposta a uma necessidade humana e tambe?m ao sofrimento (2Rs 4.1-38; 5.1-19; 6.1-7). O NT mostra-nos que o Senhor Jesus libertava e curava porque se compadecia do sofrimento humano (Lc 13.10-17; Mc 1.40-45). Todos os milagres aute?nticos sa?o operados por Deus, pois somente Ele e? poderoso para realiza?-los. Ha? ocasio?es em que Ele interfere diretamente em determinada situac?a?o, sem a instrumentalidade humana (Nm 11.18-23; 31-32; Jo 5.1-9).

4.2 Um consolo nas nossas dificuldades. O fato de sermos crista?os na?o nos isenta de passarmos por necessidades e tribulac?o?es. “…no mundo tereis aflic?o?es…” (Jo 16.33). Por isso, Paulo disse: “Em tudo somos atribulados, mas na?o angustiados; perplexos, mas na?o desanimados. Perseguidos, mas na?o desamparados; abatidos, mas na?o destrui?dos” (2Co 4.8,9 ver 1Co 1.4-a). “E fac?o miserico?rdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.” (E?x 20.6). Ver ainda textos como (Nm 20.7-11).

4.3 Uma maneira de glorificar a Deus. Os milagres, portanto, sa?o uma resposta de Deus ao sofrimento humano. Todavia, eles na?o se centralizam no homem, mas em Deus. Os milagres narrados nas Escrituras objetivam a glo?ria de Deus. Em nenhum momento, encontramos os profetas buscando chamar a atenc?a?o para si atrave?s dos milagres que realizavam nem tirar proveitos deles. Quem tentou fazer isso e beneficiar-se de forma indevida foi Geazi, o servo de Eliseu. Entretanto, quando assim procedeu foi severamente punido (2Rs 5.20-27). Em o NT observamos Pedro e Paulo pondo em destaque esse fato e mostrando que Deus, e na?o os homens, e? quem deve ser glorificado (At 3.8,12; 14.14,15).

CONCLUSA?O

O milagre da multiplicac?a?o do azeite e? um testemunho do poder de Deus, que se compadece dos sofredores que o buscam de todo o corac?a?o. O foco, portanto, dessa bela histo?ria na?o e? a viu?va nem tampouco o profeta Eliseu, mas o Senhor que atrave?s da instrumentalidade do seu servo abenc?oa essa pobre mulher. A histo?ria faz-nos lembrar um outro feito extraordina?rio e muito mais relevante do que esse: a multiplicac?a?o dos peixes e pa?es por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele foi, e? e sempre sera? a resposta consoladora a todo sofrimento humano.

REFERE?NCIAS
· STAMPS, Donald C. Bi?blia de Estudo Pentecostal. · ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento. CPAD.
CPAD. · VINE, W.E, et al. Diciona?rio Vine. CPAD.
· BARNETT, T. Ha? um milagre em sua casa. CPAD.


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