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Lição 05: O Lamento de Jó.

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.

Publicado em 31 out 2020

Texto áureo: Jó 3:24

INTRODUÇÃO:

A origem da palavra lamento advém do latim “lamentum”, que indica literalmente: “expressão de sofrimento”, e ainda: “ação de lamentar; lamentação; expressão de pesar, de mágoa diante do infortúnio. Ato de se expressar com lamentações, gemidos; pranto, queixa, gemido”. Há cerca de quinze palavras em toda a Bíblia, que indicam o ato de lamentar, entre elas a hebraica: “abal” que indica: “o senso interior de tristeza, lamentação, bater no peito, rasgar, cortar” (Gn 37.34); os termos gregos:“threneo”, e “pentheo”, que significam respectivamente: “entristecer-se, se lamentar”, e ainda: “levantar a voz, chorar em voz alta”. Lamento é um substantivo masculino m.q. LAMENTAÇÃO (‘queixume’, ‘fala’), que se expressa por choro ou pranto. Depois de todas as calamidades que se abateram sobre si, o patriarca Jó, diante de seus amigos, põe-se a amaldiçoar o dia do seu nascimento. Se lhe considerarmos a atitude do ponto de vista meramente humano, não há por que o censurar. Outros teriam apostatado da fé; alguns, optado pelo suicídio. O patriarca, todavia, era um servo de Deus. E, como tal, deveria até mesmo haver se abstido de amargurar-se quanto ao dia de seu nascimento; tanto este, como aquele que, agora, cobria-o de angústias e tristezas, haviam sido feitos pelo Senhor. Longe de mim criticar a atitude de Jó! Pois não poderia suportar nem metade de suas provações. Ah! Senhor, lembra-te de que somos pó! Nesta lição, contudo, não nos limitaremos a examinar a atitude do patriarca sob a ótica puramente humana; considerá-la-emos à luz dos textos sagrados. Jó faz três perguntas principais: POR QUE NASCI? (3.1-10), POR QUE NÃO NASCI MORTO? (3.11-19), POR QUE CONTINUO VIVO? (3.20-26). A primeira declaração de Jó, sem respeito pela polidez do discurso oriental, não é dirigida a nenhum dos seus amigos, cuja presença ele mal parece notar, mas é um monólogo, no qual mergulhamos repentinamente, saindo da grandeza e da perspectiva épicas do prólogo para o tumulto dramático do poema, da descrição exterior do sofrimento para a experiência interior de Jó. Embora ele não amaldiçoe DEUS, amaldiçoa sua vida; o seu solilóquio é uma das expressões de desespero mais agudas e intensas já escritas.

I – O LAMENTO DE JÓ: POR QUE NASCI? (3.1-10)

Uma maldição geralmente é lançada sobre o futuro; é sinal do desespero de Jó que ele pronuncie essa maldição totalmente inútil sobre o passado, que não pode ser mudado. Ele gostaria que o dia do seu nascimento tivesse sido eliminado (v. 4-6a) de forma

que não tivesse aparecido no calendário do ano (v. 6b,c); ele gostaria que feiticeiros que amaldiçoam dias tivessem tornado aquele dia um dia de azar, em que não tivesse havido concepções nem nascimentos bem-sucedidos (v. 8a, 10a).(v. 8) Aqueles que são capazes de atiçar o Leviatã, o monstro marinho (cf. SL 104.26; Is 27.1), são mágicos que crêem ser capazes de atiçar o dragão do caos para que, talvez, este engula o Sol, e com isso cause a escuridão de um eclipse. Alguns eruditos leem “mar” iyãm), em vez de “dia” (yõm). Acerca de chamar um expert em bênção e maldição, cf. Balaão (Nm 22—24). A linguagem de Jó obviamente não precisa ser tomada como evidência de que o poeta crê nos poderes desses experts.

“Por que nasci?”.

Jó imagina como seria bom se não tivesse nascido. Não passaria por tanta dor e sofrimento.

A dor e o Sofrimento fizeram parte da vida de muitos servos de DEUS.

-O Salmista e seu sofrimento.

Das profundezas a ti clamo, ó Senhor! Senhor, escuta a minha voz! Sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. Aguardo o Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra. A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã; sim, mais do que aqueles que esperam pela manhã. Espere Israel no Senhor, porque no Senhor há misericórdia, e nele há abundante redenção, e ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades. (Salmos 130:1-8)

-O profeta Jeremias sofreu muitas perseguições, veio a falecer no Egito como exilado. Sofreu o desprezo do seu próprio povo – Jr. 12. 5

Sofreu ferimentos e prisões – Jr. 20. 1-2; 33. 1

Sofreu solidão – Jr. 15. 17

Sofreu a dura prova do calabouço – Jr. 38.6

Sofreu nas mãos dos falsos profetas – Jr. 18. 18; 20.9,10 Sofreu perigo de morte – Jr. 26. 1 ss

-O Rei Esequias adoeceu, orou ao Senhor e DEUS lhe deu mais 15 anos. Is 38.1-5

-O Rei Asa adoeceu e morreu porque não buscou a DEUS, mas aos médicos. 2 Crônicas 16:12

-O profeta Eliseu, profeta de grandes milagres, morreu doente. 2 Rs 13.14

-O patriarca Jó teve um sofrimento só superado pelo sofrimento de JESUS, que foi até a morte e morte de cruz. Morte de dores e de humilhação.

2. Que em lugar da memória viesse o esquecimento.

Jó amaldiçoa o dia de seu nascimento e diz que este dia deveria ser esquecido, pois foi o dia de sua desgraça. Ninguém deveria ter comemorado aquele dia, mas esquecido totalmente dele.

amaldiçoa – (Strong Português) – קבב qabab 1) amaldiçoar, proferir uma maldição contra 1a) (Qal) amaldiçoar

3. Que em vez da ordem viesse o caos.

Jó imagina o dia em nasceu ter sido saltado no calendário. A luz que brilhou naquele dia, para ele, eram trevas. O dia que o trouxe para sofrer não era de ordem, mas de caos.

II – A REAÇÃO DE JO’ DEMONSTRA PERSEVERANÇA:

-Uma leitura rápida no capítulo 3 demonstra que a reação de Jó diante da segunda prova é bem diferente daquela adotada na primeira. Nos capítulos 1 e 2, vê-se um Jó resignado e conformado com tudo o que lhe sobrevém. Entretanto, a partir do capítulo 3, Jó continua resignado, porém não demonstra o mesmo conformismo de antes. De fato, quando o apóstolo Tiago faz referência a Jó na sua carta, ele destaca mais a sua perseverança do que a sua paciência. Esse fato é claramente demonstrado pelo uso da palavra grega hupomoné, usada em Tiago 5.11, cujo sentido é mais bem compreendido como perseverança, e não paciência.i Jó foi mais perseverante do que paciente. Ele é resignado, mas não conformado. Ele está pronto a questionar por que tudo aquilo está sobrevindo sobre ele. Entretanto, isso não significa dizer que há uma ruptura na narrativa do texto e que esse Jó não tem nada a ver com o primeiro. Só há um Jó. Nem significa dizer também que Jó perdeu a fé e amaldiçoou a Deus como Satanás havia dito. Nada disso aconteceu e nem é sugerido pela narrativa. O que, de fato, acontece é que Jó, desconhecendo a trama diabólica, não tem explicação racional e teológica para tudo o que lhe sobreveio. Isso o leva a questionar tudo e a todos.

Após o primeiro ciclo de provas, Jó está exausto e querendo entender a razão do seu sofrimento. Por não saber dos bastidores da sua prova, Jó via tudo aquilo como se fosse uma ação direta de Deus. Isso, evidentemente, aumentava o seu drama e intensificava o seu lamento. O lamento de Jó, todavia, não deve ser visto como algo escandaloso e fora de contexto. Na verdade, a narrativa, de uma forma nua e crua, mostra o lado humano de Jó; ou seja, Jó não é um super-homem, que está imune aos problemas e vicissitudes da vida. Não! Pelo contrário! Jó mostra toda a sua humanidade quando está disposto a questionar e a entender os dilemas da vida para os quais não tem explicação. É esse o Jó que tem inspirado a tantos e permitido que o sofredor, o afligido e o oprimido identifiquem-se com a sua causa. É esse Jó que o capítulo 3 apresenta. No primeiro lamento, ele questiona por que havia sido concebido ou nascido; no segundo, por que não havia nascido morto e, no terceiro, por que continuava vivo. Contudo, debaixo de intenso conflito psicológico, Jó jamais pensou em dar cabo da própria vida.

III- QUE APRENDEMOS COM O LAMENTO DE JÓ:

1.Os servos de Deus devem superar as crises pessoais que venham a enfrentar. Sobre o patriarca Jó, o apóstolo Tiago escreveu: “[…]Ouvistes da paciência de Jó […] (Tg 5.11), mas percebemos que essa paciência não foi em todo momento. Ficamos admirados que um homem seja tão paciente como ele fora (caps. 1 e 2), mas nos surpreende também que um homem bom seja tão impaciente como é no capitulo três de seu livro; que foi escrito para ensinar, não para que o imitemos nesse quesito, mas como uma advertência (Rm 15.3) para que aquele que cuida estar em pé, vigie para que não caia (1Co 10.12). É comum entre os servos de Deus enfrentar altos e baixos, quando estão em intensa pressão ou quando não compreendem determinados processos em sua vida, foi assim com: (a)Abraão (Gn 15.1-3); (b) Asafe (Sl 73.1-9,13-16); (c) Elias (1Rs 19.2-4); e, (d) Paulo (2Co 1.8), mas todos em comum superaram tais crises confiando na graça de Deus (2Co 12.9).

2.O sofrimento não pode ofuscar a percepção das bênçãos de Deus. Não podemos permitir que os infortúnios desta vida, tirem de nós a gratidão por todas as dádivas advindas do Criador: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes […]” (Tg 1.17), a vida é um dom divino para nós: “[…] pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração […]” (At 17.25), resultante da ação direta de Deus: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci […]” (Jr 1.5; ver Sl 139.14-16), de modo que a existência e preservação da vida, são bênçãos que não podem ser desvalorizadas: “[…] porque nEle vivemos, e nos movemos, e existimos […]” (At 17.28). A ingratidão não pode achar guarida no coração dos servos de Deus (Sl 103.2), que embora sejam profundamente provados ainda têm motivos diversos para continuarem louvando ao Senhor, como fez o profeta Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.17,18).

3.No momento de angústia precisamos continuar crendo no cuidado divino. Em meio as grandes dificuldades a recomendação bíblica é continuar crendo em Deus (Mc 5.36), não permitindo que o desespero tome conta da situação, “Porque andamos por fé, e não por vista” (2Co 5.7), de modo que, a esperança cristã não estar fundamentada nas circunstâncias (Rm 8.24,25) ou nos bens materiais (1Tm 6.17), mas sim em Deus (1Pe 1.21). Confiar no cuidado de Deus é necessário porque: (a) é um remédio contra a ansiedade (1Pe 5.7); (b)Deus tem o controle de tudo (Rm 8.26); (c)cada luta tem começo e fim (Sl 30.5);e, (d) o sofrimento é pedagógico (Rm 5.3-5; Tg 1.2-4).

CONCLUSÃO:

A forma como o patriarca lidou com a catástrofe que sobreveio sobre sua casa e sua vida revelam que ele, mesmo sendo um homem temente a Deus, piedoso, santo, íntegro e justo, chegou ao extremo para que seu sofrimento tivesse um fim: desejar a morte, ou ainda, desejar nem mesmo ter nascido. Como humano, Jó extravasou os seus sentimentos, mas de forma alguma ele negou a Deus ou o amaldiçoou.  Porventura é falta de fé lamentar diante de uma calamidade? Perder a alegria da vida diante de uma tragédia? “Externalizar a dor humana não significa ausência de fé. Nosso Senhor externalizou a própria dor diante da dor de outras pessoas. Ele mesmo chorou (Jo 11.35).” Que Deus nos ajude a saber como lidar com o sofrimento, pois Deus não erra, Deus é infinitamente bom, mais o sofrimento humano é consequência do pecado, lá no princípio(Gn 3:14-19).


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