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Lição 06: A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.

Publicado em 07 nov 2020

Jó 4:7,8

Introdução: Elifaz, segundo o relato da Bíblia, foi um dos três companheiros de Jó. (Jó 2:1); Era provavelmente descendente de Abraão e um parente distante de(Jó.1). Elifaz, o temanita, como dizem as escrituras sagradas no capítulo 4 do livro de Jó, era neto de Isaac filho de Abraão; no livro de Gênesis 36:4,15, a Bíblia nos mostra claramente os descendentes de Esaú e nós podemos entender mais sobre Elifaz. Dentre os três “consoladores”, Elifaz era o mais importante e influente, o que sugere que talvez tenha sido também o mais idoso, por exemplo:

  • Ele fala primeiro, nas três fases do debate;
  • Os seus discursos são mais extensos.
  • Analistas consideram que Elifaz representa a sabedoria de Edom; deste modo ele tem o mesmo nome que Elifaz (Filho de Esaú).
  • A suma do discurso de Elifaz supõe que a justiça, invariavelmente, produz bem-estar; e a injustiça, o infortúnio; e, que existe uma proporção direta entre o pecado e o sofrimento. Esta proposição é falsa ou verdadeira? Ponha este tema em discussão. Converse com seus alunos sobre as diversas formas utilizadas pelas pessoas para receberem benefícios de DEUS. Mostre-lhes a falha de sua atitude demonstrando biblicamente que não há nada que o homem possa fazer para merecer o favor divino. O pensamento de Elifaz era coerente com o teor do discurso de Satanás, o armador de ciladas. Primeiro ele (o Diabo) diz a DEUS: ―…toca em tudo quanto tem e verás se não blasfema de ti.‖ (1.11). Em seguida, apropria-se da boca de Elifaz para confundir Jó de forma contundente: ―Quem você pensa que é?‖ (4.7).

Texto áureo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO SANTO” (Tt 3.5).

A LAVAGEM DA REGENERAÇÃO. Isto se refere ao novo nascimento do crente, visto simbolicamente no batismo cristão. A “renovação do ESPÍRITO SANTO” refere-se à outorga constante da vida divina aos crentes à medida que se submetem a DEUS (cf. Rm 12.2)

Verdade Prática:

DEUS não trata seus filhos com base num amor mercantilista e comercial. A base de seu relacionamento para conosco é a sua graça, infinita e inexplicável graça.

Rm 5.21 “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por JESUS CRISTO, nosso Senhor.”

A “justificação de vida” para todas as pessoas é em potencial; ela torna-se real, no homem, à medida que este crê em CRISTO e recebe a graça, a vida e o dom da justiça por JESUS CRISTO (v. 17).

I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇA RETRIBUTIVA:

  1. Elifaz primeiro usa a lei da semeadura e da colheita. O Homem colhe o que planta(Gl 6:7)NVT:”Não se deixem enganar: ninguém pode zombar de Deus. A pessoa sempre colherá aquilo que semear.”
  2. A perigosa teologia de Elifaz. Detenhamo-nos em alguns trechos de seu discurso: ―Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo. Com o hálito de DEUS perecem; e com o assopro da sua ira se consomem‖ (Jó 4.7-9).

Deste pronunciamento, depreendemos que a teologia de Elifaz tinha como base a ideia de um relacionamento mercantil com DEUS. Ou seja: se lhe formos fiéis e lhe prestarmos a adoração que Ele demanda, seremos certamente abençoados; nenhum mal nos atingirá. Trata-se, pois, de uma simples troca comercial. Em linguagem popular: um toma-lá-dá-cá.

  1. Uma teologia sofismática. Usando e abusando dos sofismas, Elifaz erradamente conclui: apenas os que desagradam a DEUS sofrem; se Jó estava sofrendo, logo: cometera ele algum pecado contra o Senhor. Desconhecia ele, por acaso, a história de Abel? (Gn 4.4-8) Ou o drama vivido por Enoque que, por trezentos anos, profetizara num mundo que em nada diferia do inferno? (Gn 5.22-24) Ou por acaso ignorava o fato de o patriarca Noé haver construído a arca sob os impropérios de uma geração que se achava completamente tomada pelo demônio? (2Pe 2.5) Registra a História Sagrada que homens piedosos, dos quais não era digno o mundo, acabaram perecendo da forma mais inimaginável e repulsiva (Hb 11.37,38).
  • Então, como pôde Elifaz jogar com as palavras, a fim de atribular ainda mais a Jó? Seus sofismas não resistem ao menor dos exames.
  1. Uma teologia perversa. Elifaz ultrapassa todos os limites do bom senso; chega a tratar o patriarca de injusto e louco (Jó 5.1-5). Suas acusações não terminam aí; atingem a própria família do patriarca. Se esta havia perecido, então um só era o culpado: Jó. Como se haver numa situação dessas? Como suportar tão graves incriminações?

II – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO.

  • Deus não se importa com quimeras humanas.
  • Deus caminha com os homens.
  • Sua Graça é antídoto contra a doutrina do fatalismo.
  • Elifaz, à semelhança de muitos religiosos de nossos dias, acreditava que o homem, penitenciando-se e tudo fazendo por comprazer a DEUS, jamais será atingido por quaisquer calamidades. Supunha ele ser possível agradar a DEUS com boas obras, e com boas obras levá-lo a afastar de nós as angústias e tribulações desta vida (Rm 8.35- 37). O que diz a Bíblia?
  • A imperfeição das obras humanas. Ignorava Elifaz que, por mais perfeitas que nos sejam as obras, jamais poderemos justificar-nos diante de DEUS, pois não passam elas de trapos de imundície (Is 64.6). Em consonância com Isaías, pergunta Miquéias: ―Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o DEUS altíssimo? virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano?‖ (Mq 6.6).
  • Como poderá o homem justificar-se diante de DEUS? É a pergunta que nos faz Jó? (Jó 25.4) Temos aqui uma das mais importantes indagações teológicas. O homem não necessita praticar obra alguma para alcançar o favor divino nem para ser justificado diante de DEUS. Só nos é necessária uma única coisa: aceitar a JESUS e confiar em seus méritos como nosso suficiente salvador. Isto significa que, através de CRISTO, seremos vistos por DEUS como se jamais houvéramos cometido qualquer pecado ou iniquidade. E, assim, seremos declarados justos com base na justiça de CRISTO (Rm 5.1-8).

III – A IDEOLOGIA DO FATALISMO E AS LICOES DO SOFRIMENTO:

  • Na filosofia greco-romana, o fatalismo é a concepção que considera serem o mundo e os acontecimentos produzidos de modo irrevogável. É também a crença de que uma ordem cósmica, dita Logos, preside a vida quotidiana. E que tudo de ruim, sofrimentos que vem, são consequências de seus atos.
  • Fatalismo: É a crença de que tudo que acontece de ruim ao homem, é consequência de suas ações; E “o que será será”, já que todos os eventos passados, presentes e futuros já foram predeterminados por Deus ou outra força poderosa.
  1. Há propósitos positivos do sofrimento. Se confiarmos em Deus, a dor e o sofrimento pode servir alguns propósitos positivos, incluindo: (a) conseguir a nossa atenção; (b) permitir que Deus demonstre seu poder (Jo 9.1-3); (c) pôr à prova nossa integridade (Jó 2.1-3); (d) produzir perseverança e caráter (Rm 5. 3-5); (e) proporcionar disciplina (Hb 12.10,11); (f) eliminar o orgulho egoísta (2Co 12.7) (g) desenvolver maturidade (Tg 1.2-4) (h) edificar a fé (1Pd 1.3-7) (i) ajudar-nos a nos relacionar com Cristo e a sermos mais parecidos com Ele (Rm 8.28-29); (j) proporcionar oportunidade para servir e consolar outras pessoas (2Co 1.3-6); (l) modificar nossa perspectiva das coisas terrenas para as coisas eternas (2Co 4.17,18); e por fim, (m) fazer com que os rebeldes se convertam a Deus (1Co 5.1-5) (STAMPS, 2018, p. 629).
  2. No sofrimento adquirimos maturidade. As provações nos tornam maduros e completos (Tg 1.4). Diversos personagens da Bíblia tiveram seu caráter moldado pelas situações adversas que enfrentaram, a saber: (a) Abrão amadureceu na fé através circunstâncias difíceis pelas quais foi submetido (Gn 12.1-3; 10-20; 22.1-18); (b) as aflições que José enfrentou o prepararam e o conduziram para o que Deus prometeu (Gn 45.5-8); e, (c) o deserto e a escassez de alimentos serviram para moldar a nação de Israel (Dt 8.1-3). Paulo tinha essa consciência, por isso asseverou: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).
  3. O sofrimento é passageiro. Todos os sofrimentos e dificuldades deste tempo presente – doenças, sofrimentos, dor, desapontamentos, injustiça, maus tratos, angústias, perseguição e dificuldades de todo tipo – devem ser consideradas insignificantes, quando em comparação com as bênçãos, os privilégios e a glória que será dada aos seguidores de Cristo na eternidade: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). Diante dos privilégios que teremos no céu com o Senhor, o sofrimento do cristão é passageiros (Mt 5.12; 2Co 4.10; 2Co 4.17; Fp 3.20).

CONCLUSÃO: Aprendemos ao nos defrontar com essas duas teologias: a de Elifaz e a da graça de DEUS.  Ambas respondem a esta pergunta: Por que o justo tem de sofrer? De conformidade com Elifaz, que veio de Temã para consolar a Jó, se este sofria era porque, em algum momento de sua vida, desagradara a DEUS. Logo: houvesse Jó agradado a DEUS, como Ele o requer, nenhuma tribulação teria advindo sobre si. Estaria correta esta teologia? Não lhe parece isto um mero relacionamento mercantil? Ou um escambo?

O fato de servirmos a DEUS não nos torna imunes às lutas, dificuldades e provações. Pelo contrário! Somos, às vezes, mais atribulados do que os ímpios. Mas, que importa?

Elifaz, como muitas pessoas hoje em dia, não aceitava o sofrimento do justo atribuindo a este alguma falha que pudesse desencadeá-lo. Este episódio nos serve de lição para mostrar como é falível a visão humana. Nunca poderemos entender os desígnios de DEUS, pois nossa visão é terrena e limitada. Devemos, antes, aceitá-los, porque DEUS é soberano e seu domínio se estende por todo o universo e, nada acontece sem sua permissão. O homem é incapaz de justificar-se perante DEUS. O único escape é refugiar-se na graça divina, pois, é ela que nos justifica. Conclui-se, pois, estar totalmente equivocada a teologia mercantilista de Elifaz. Nossa comunhão com DEUS não é um mero e vulgar e imoral toma-lá-dá-cá. Se os homens se contentam com escambos, nosso DEUS, não; Ele não se vende nem se deixa comprar: sua graça é real, eficaz e sempre abundante. Sua graça é mais do que suficiente! Salva- nos e proporciona-nos as mais doces consolações. Isto não significa estejamos imunes às tribulações. Certamente elas virão. Todavia, em tudo e, por tudo, seremos consolados.


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