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Lição 10 – A ÚLTIMA DEFESA DE JÓ

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.

Publicado em 05 dez 2020

Jó 29:1-5

INTRODUÇÃO: Nesta lição perceberemos que Jó faz uma retrospectiva de sua vida. Ele pôde ver o quanto foi abençoado, embora o momento presente contrariasse todo o seu passado. Infelizmente, o “presente” de Jó teve mais força para embaçar o seu passado. Ele não conseguia recuperar a esperança. E muito importante fazermos esse exercício retrospectivo, mas sem, contudo, perder a esperança.

O que Deus fez em nosso passado deve-nos trazer a esperança para o presente. Tudo isso só é possível uma vez que estamos em Cristo. Do ponto de vista humano é impossível recuperar a esperança diante da tragédia. Todavia, na força do Espírito Santo, podemos recuperá-la.

Conforme Deus fez no passado, Ele pode fazer algo novo. Jó se lembra de seu passado glorioso e vê sua triste realidade atual. Agora o que lhe resta é escárnio e vergonha. É sua última apelação ao tribunal de DEUS.

I – JÓ RELEMBRA SEU PASSADO DE GLÓRIA

1. Prosperidade material e espiritual (29.1-11).

Os perdedores podem ter permissão para falar, e não há nada de que falem com mais sentimento do que sobre os confortos de que foram privados. A sua prosperidade anterior é um dos assuntos mais agradáveis de seus pensamentos e de sua conversa. Assim era com Jó, que aqui começa com um desejo (v. 2): “Ah! Quem me dera ser como eu fui nos meses passados!” Assim Jó inicia este relato sobre a sua prosperidade. O seu desejo é,

“Ah, quem me dera que eu estivesse em tão boa condição como estava então, que eu tivesse tanta riqueza, honra e prazer como tinha então!” Isto Jó deseja, a partir de uma preocupação que tinha, não tanto com o seu sossego e tranqüilidade, quanto pela sua reputação e pela glória do seu DEUS, que, julgava ele, tinham sido eclipsadas pelos seus sofrimentos atuais. “Ah, quem me dera que eu pudesse ser restaurado à minha prosperidade, e então as censuras e repreensões de meus amigos seriam eficazmente silenciadas, mesmo pelos seus próprios princípios, e desapareceriam para sempre!” Se o nosso objetivo em desejar vida, saúde e prosperidade for que DEUS possa ser glorificado, e a credibilidade da nossa santa profissão resgatada, preservada e promovida, o desejo não somente é natural, mas espiritual.

“Ah, que quem me dera que eu estivesse em tão boa condição de espírito como estava então!” Aquilo de que Jó mais se queixava agora era um peso sobre o seu espírito, devido ao fato de que DEUS se afastava dele; e por isto ele deseja que pudesse ter agora o seu espírito exaltado e encorajado na obra de DEUS, como tinha antes, e que tivesse tanta comunhão com Ele e liberdade como então se considerava feliz por ter. Isto foi nos dias da sua mocidade (v. 4), quando estava no pleno vigor da juventude, quando podia desfrutar destas coisas e saboreá-las com o maior prazer. Observe que aqueles que prosperam nos dias da sua mocidade não conhecem os dias negros e nublados aos quais estão reservados. Duas coisas tornavam os meses passados agradáveis para Jó:

O fato de que ele tinha consolação no seu DEUS. Isto era a razão principal pela qual ele se alegrava, na sua prosperidade, como a sua origem e doçura: o fato de que ele tinha a benevolência de DEUS e os sinais de tal benevolência.

Jó se lembra da proteção de DEUS (Jó 29.2,4). suas bênçãos sobre ele e suas crianças (Jó 29.3); sua orientação em meio às dificuldades (Jó 29.3); quando DEUS estava na vida dele (Jó 29.5).

2. Reconhecimento social (29.14-25).

Jó se recorda de quando era respeitado como um juiz de sua cidade (Jó 29.7). Jovens o respeitavam, velhos o ouviam (29.8). Jó era importante no papel social na sua comunidade. Ele ajudava o desvalido, dava orientação de forma sábia e agia com justiça (Jó 29.14-20,21-25). Jó protegia os pobres e punia os opressores (Jó 29.17). Ele dava apoio social aos menos favorecidos e era como se fosse os “olhos” do cego. Com os estrangeiros se preocupava (Jó 29.15,16). Acreditava firmemente acabar seus dias em paz.

3. Uma ponderação importante.

Jó era um rico fazendeiro e comerciante. Era temente a DEUS e praticante de sua religião. Valorizava muito a família. Era um homem que defendia a justiça social. Não era socialista nos termos modernos, pois os tais proíbem a fé em DEUS e destroem a família.

II – JÓ LAMENTA SEU ESTADO PRESENTE

1. Desprezo por parte dos jovens e das classes menos favorecidas (30.1-23).

-Jó apresenta uma queixa muito longa e triste sobre a grande desgraça em que tinha caído, da altura da honra e reputação, o que era extremamente angustiante e doloroso para um espírito inocente como era o de Jó. Ele insiste em duas coisas que agravam enormemente a sua aflição:

A torpeza das pessoas que o afrontavam. Da mesma maneira como contribuía muito para a sua honra, no dia da sua prosperidade, que os príncipes e nobres lhe mostrassem respeito e lhe prestassem deferência, também contribuía igualmente para a sua desgraça, na sua adversidade, o fato de que ele fosse desdenhado pelos servos, e pisoteado por aqueles que não somente eram inferiores a ele, de todas as maneiras, como eram os mais desprezíveis e perversos de toda a humanidade. Ninguém pode ser descrito como mais vil do que os que aqui são descritos insultando a Jó, sob todos os aspectos.

-Eles eram jovens, de menos idade do que ele (v. 1), os moços (v. 12), que deviam ter se comportado de maneira respeitosa com ele, pela sua idade e seriedade. Mesmo as crianças, ao brincar, o ridicularizavam, como as crianças de Betel ridicularizaram o profeta, “Sobe, calvo”. As crianças logo aprendem a ser zombeteiras quando vêem que este é o comportamento de seus pais.

-Eles eram de origem inferior. Os seus pais eram tão desprezíveis que um homem como Jó teria desdenhado levá-los para o mais humilde serviço em sua casa, como o de apascentar as ovelhas e servir os pastores com os cães do seu rebanho (v. 1). Eles eram tão desprezíveis que não era apropriado que fossem vistos entre os seus servos, e eram tão tolos que não eram adequados para serem empregados, e tão falsos que não eram adequados para que lhes fosse confiado o mais humilde cargo. Aqui, Jó fala do que ele poderia ter feito, e não do que ele tinha feito; ele não tinha coragem de colocar qualquer dos filhos dos homens com os cães do seu rebanho; ele conhecia a dignidade da natureza humana a ponto de não fazer isto.

-Eles e suas famílias eram os fardos improdutivos da terra, e não serviam para nada. O próprio Jó, com toda a sua prudência e paciência, não podia aproveitá-los (v. 2). Os jovens não eram adequados para o trabalho, eram muito preguiçosos e realizavam o seu trabalho de maneira muito desajeitada: “De que também me serviria a força das suas mãos?” Aos velhos não se devia pedir conselho nem sobre as mais insignificantes. De respeitado, temido e amado, Jó passou a ser desrespeitado perseguido e até abusado. Os filhos de pessoas que não serviam nem para ajudar os cães a guardarem as ovelhas, agora se riam dele. Jó lembra que “agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho” (Jó 30.1). De homem respeitado, ele passou a ser visto como uma escória social (Jó 30.1-8). Jó, portanto, lamentava estar no fundo do poço.

2. Abatimento físico e emocional (30.16-31).

Jó se sente um homem abandonado por DEUS, estava em sofrimento físico e emocional. Como o salmista, Jó lamenta suas dores (Sl 42.4). Suas roupas estavam manchadas por sua doença (Jó 30.18). Jó, sem saber a respeito de seu real inimigo, pensava que DEUS estava por trás de todo esse sofrimento (Jó 30.19), achava que DEUS não o ouvia. Jó sente-se caçado como um animal selvagem e atormentado por um furacão (Jó 3.21,22).

Não sabia Jó que DEUS só tem bons pensamentos a nossos respeito e que Dele só vem boas dádivas.

Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Jeremias 29:11

Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação. Tiago 1:17

3. DEUS teria abandonado Jó?

Em quase desespero Jó pensava que havia sido abandonado por DEUS (Jó 30.16-23). Já havia sido abandonado pelos homens (30.24-31). Jó clamava mas não sentia ser ouvido. Doía saber que havia ajudado muitas pessoas carentes e necessitadas de socorro (Jó 30.25), mas agora o seu clamor por socorro ser totalmente ignorado. Em vez de ajudado, ele era repelido como uma escória social (Jó 30.26). Quantas pessoas não passam por esse sentimento? Quantas vezes um sentimento de injustiça não assola-nos à alma? Cheguemo-nos diante de DEUS e entreguemos tudo em seu altar.

III – JÓ FAZ SUA ÚLTIMA DEFESA:

-Jó relembra que foi um patrão justo (Jó 31.13-15). Essa introspecção de Jó foi tão cuidadosa que incluiu até mesmo sua forma de tratar os servos: “Se retive o que os pobres desejavam” (Jó 31.16). A maioria dos senhores de seu tempo teria ignorado esse aspecto da vida. Jó tratava seus servos com generosidade e resolvia suas queixas com justiça, pois sabia que, um dia, teria de prestar contas a Deus (Jó 31.14 ver Ef 6.9). Também sabia que ele e seus servos haviam sido criados pelo mesmo Deus e vindo ao mundo do mesmo modo.

-Jó relembra que foi um cidadão justo (Jó 31.16-23, 29-32). Em resposta às falsas acusações de Elifaz (Jó 22.6-9), Jó havia relatado anteriormente como havia cuidado dos pobres e necessitados (Jó 29.12-17); mas repetiu esses fatos como parte de seu juramento. Não estava se vangloriando, mas sim se defendendo diante dos homens e buscando a justificação de Deus. Jó compartilhava de seu suprimento básico de alimentos, de vestuário, das necessidades básicas da vida, e os órfãos foram os primeiros recebedores dessa generosidade: “Ou se sozinho comi o meu bocado” (Jó 31.17,18). Ainda: “Se a alguém vi perecer por falta de roupa” (Jó 31.19,20).

-Jó relembra que foi um juiz justo (Jó 31.23). Se havia levantado sua mão contra qualquer homem num tribunal: “Se eu levantei a mão contra o órfão, por me ver apoiado pelos juízes” (Jó 31.21), Jó esperava que Deus arrancasse fora aquele braço: “Porque eu livrara os pobres que clamavam” (Jó 29.12,13). Jó se preocupara com as necessidades das viúvas, dos órfãos e dos pobres. Suprira o alimento e as roupas de que precisaram e os defendera na justiça: “Eu me cobria de justiça” (Jó 29.14). E continua: “Eu me fazia de olhos para o cego” (Jó 29.15), “Dos necessitados era pai […] Até as causas dos desconhecidos eu examinava” (Jó 29.16).

-Jó relembra que foi justo com os inimigos e forasteiros (Jó 31.29-32). Uma vez que ele era um xeique rico e poderoso, por certo havia muita gente que o odiava e invejava, e, no entanto, Jó usava de bondade para com essas pessoas. Não se alegrava com o infortúnio delas (Êx 23.4, 5; Pv 24.17,18; Mt 5.43-47), nem pedia a Deus que as amaldiçoasse (Rm 12:1 7-21). Jó também era generoso para com os forasteiros, dando-lhes comida e um lugar para passar a noite. Ninguém poderia acusar Jó de ser um homem egoísta (Jó 31.31).

4.5 Jó relembra que foi um administrador justo (Jó 31.38-40). Nos versículos 35 a 37, Jó lembrou de mais uma área da qual devia tratar: sua administração (Jó 31.38). Ao fazer uma revisão do juramento de Jó, descobrimos que ele pediu que Deus mandasse julgamentos terríveis sobre ele, caso fosse culpado de qualquer um dos pecados citados: “outros comeriam sua colheita e arrancariam do solo as plantações” (Jó 31.8); “seu braço seria arrancado do ombro” (Jó 31.22); e, “teria uma colheita de ervas daninhas e de espinhos” (Jó 31.40). Jó deixou claro que, com esses julgamentos, estava disposto a enfrentar o julgamento justo de Deus (Jó 31.14, 23,28).

CONCLUSÃO: Este capítulo [30] contrasta com o capítulo 29. No lugar em que Jó desfrutava do respeito e honra dos anciãos da cidade e das pessoas importantes, ele agora é desprezado pelas pessoas mais vis da sociedade. Mas agora, introduz a mudança de como era o passado para o que é no presente. O capítulo 29 terminou com Jó lembrando de como em épocas passadas ele era semelhante a um rei entre os homens. Assim vimos que Jó, lembrou de seu passado abençoado e de como agiu com integridade e humanidade com o próximo. Nunca havia agido de forma injusta com ninguém nem tampouco cometido pecados que o desonrassem. Sua integridade estava intacta. Assim, ele acredita que chegou o grande momento de se apresentar diante de Deus e receber de o veredito de que é um homem injustiçado e inocente. Na verdade Jó, cria na justificação do homem(Jó 9:2,15;25:4). Portanto, Perdoe a si mesmo. A justiça própria vem acompanhada de uma consciência de culpa e condenação [Hebreus 10:22]. Assim como muitas pessoas hoje, Jó estava sempre consciente de seus pecados [Jó 7:20-21].  Todavia, Quando nascemos de novo,  reconhecemos que nossos pecados foram perdoados, pois a nossa vida passada deixou de existir. Deus disse que não mais se lembraria das nossas transgressões [Is 43.25]. Se Deus não se lembra delas, por que então deveríamos lembrar? Talvez você diga que ainda não é um justo porque teve fraquezas em algumas áreas, e que não conseguiu vencer, mas 1 João 1.9 lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”, quando um justo peca e sente-se culpado, aparece um sentimento de injustiça, indignidade e vergonha. Mas Deus traz uma solução. Primeiro, quando você confessa os seus pecados, você recebe perdão imediatamente. Segundo, a Bíblia diz que Deus também nos purifica de toda injustiça, isso significa  que nos garante uma posição perpetua de justiça. Amém!


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