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LIÇÃO 11 – A TEOLOGIA DE ELIÚ: O SOFRIMENTO É UMA CORREÇÃO DIVINA?

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.

Publicado em 10 dez 2020

Jó 33:1-4

INTRODUÇÃO

-O sofrimento na vida do cristão deve ser um meio pedagógico. Ele serve para esmagar a soberba humana, polir o caráter do crente, prover crescimento e desenvolvimento ao cristão. Não somos o mesmo depois que passamos pela “escola do sofrimento”.

-Não por acaso o apóstolo Paulo pôde dizer: “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade.

– Na sequência do estudo do livro de Jó, analisaremos o discurso de Eliú.

– Eliú suaviza, mas não afasta o “dogma da retribuição”.

I – QUEM FOI ELIÚ

– Depois da réplica de Jó ao terceiro discurso de Bildade, exsurge um silêncio, pois os amigos de Jó não encontram meios para convencer o patriarca, que segue convicto de sua inocência.

– Aparece, então, Eliú, um quarto amigo de Jó, mais jovem, cuja presença não fora até então mencionada no livro. Em seu longo discurso, sem réplica, será apresentada uma versão mais suave a respeito do chamado “dogma da retribuição”, uma evolução que, no entanto, também não solucionará a questão.

– Eliú não é mencionado no livro de Jó a não ser no capítulo 32, quando começa a sua fala, fala esta que não terá resposta por parte do patriarca Jó.

– Eliú ingressa no debate procurando ser um meio-termo entre o discurso dos amigos e o do patriarca, disto resultando uma visão de Deus mais real que a dos amigos de Jó, mas igualmente insuficiente para desmentir a forte convicção do patriarca.

– Embora ainda ache que Jó seja um pecador, Eliú consegue, em seu discurso, ter uma visão da graça de Deus, algo que fora completamente ignorado pelos outros amigos do patriarca, e, por isso, vê que o sofrimento pode ser resultado do amor de Deus, não apenas fruto de uma punição.

– Ao contrário dos outros amigos de Jó, Eliú, cuja existência somente nos é revelada no capítulo 32 do livro, quando ele toma a palavra ante o impasse existente nos debates entre Jó e seus outros três amigos, tem apresentada até uma pequena genealogia a seu respeito.

– É dito que ele é filho de Baraquel e tem como ancestral Rão, sendo natural de Buzi. A existência desta genealogia fez com que alguns estudiosos da Bíblia, entre eles o bispo Lighfoot e Myer Pearlmann, achem ter sido Eliú o autor do livro de Jó. Entretanto, alguns outros entendem que o fato de Eliú não ter sido mencionado no início do livro e de ser uma pessoa jovem e, portanto, não ser um renomado e conhecido estudioso sobre Deus, explica a necessidade de que tivesse uma apresentação que justificasse a sua intervenção no debate.

O nome “Eliú” quer dizer “Meu Deus é ele”, lembrando-se que “El” era um nome costumeiro para Deus na região do Oriente Médio. Buzi é identificado como sendo uma tribo que ocupava a região da península da Arábia, a demonstrar, portanto, que Eliú, tal qual Elifaz, pertencia a uma família que, desde a tenra idade, orientara Eliú pela crença em Deus.

– Alguns identificam Eliú como sendo descendente de Naor, já que um dos filhos de Naor é Buz (Gn.22:21). Entretanto, entendemos que este Buz não seja o mesmo pai da tribo a que Eliú pertencia, pois isto faria com que Jó fosse bem posterior a Abraão, o que não parece ser o caso. Aliás, a presença de uma genealogia faz- nos rejeitar o pensamento de que Eliú seria uma manifestação teofânica, ou seja, seria uma aparição de Cristo antes de Sua encarnação, ideia que deve ser, evidentemente, rejeitada.

– Apesar de ser o mais jovem de todos os debatedores de Jó, Eliú é o que apresenta o discurso mais desenvolvido e mais amplo a respeito de Deus, tanto que não é recriminado pelo Senhor no final do livro (Jó 42:8).

– Aliás, não é também citado no epílogo do livro, o que levou alguns a imaginarem que os discursos de Eliú tenham sido acrescentados ao livro de Jó, o que, entretanto, não passa de mera hipótese, sem nenhuma comprovação, sendo uma versão que devemos receber com muita reserva pois corrobora o pensamento que se opõe ao reconhecimento da integridade da Bíblia Sagrada.

– A omissão de Eliú no prólogo deve-se, muito mais, ao fato de Eliú não ser, como já dissemos, um renomado e reconhecido estudioso de Deus. Mas como se explicaria a sua omissão no epílogo do livro? Ora, isto se dá porque o discurso de Eliú, embora ainda parta do pressuposto de que Jó havia pecado, não foi incorreto a respeito de Deus, razão pela qual não foi recriminado pelo Senhor.

II – OS DISCURSOS DE ELIÚ

– Após a série de debates entre Jó e seus amigos, todos eles escritos em forma de verso e de conteúdo poético, o capítulo 32 do livro de Jó inicia-se em prosa, com a apresentação de Eliú, personagem cuja existência, até então, não havia sido anunciada.

– Diz-nos o texto sagrado que o jovem Eliú resolveu abrir a boca porque entendeu que os amigos de Jó não tinham argumentos para que Jó se arrependesse, bem como que Jó declarava uma inocência com a qual Eliú não podia concordar. Como houvesse um impasse, Eliú, apesar de sua pouca idade, resolve tomar a palavra e fará, praticamente, quatro discursos, discursos que não serão objeto de resposta por parte do patriarca Jó, mas que revelarão uma visão mais ampla de Deus, ainda que, uma vez mais, Jó seja considerado um pecador.

– Eliú, por ser jovem, não poderia invocar o argumento da autoridade e da tradição, que tanto havia sido base para a argumentação de seus amigos. Sem como apelar à tradição ou à experiência, Eliú vai trazer como argumento o da inspiração divina, ou seja, dirá que seus argumentos são fruto de uma revelação sobrenatural do próprio Deus (Jó 32:8-10).

– Segundo Eliú, somente a inspiração do Todo-Poderoso pode fazer o homem entendido nas coisas de Deus. Parte, portanto, Eliú de um ponto de partida totalmente diverso do dos demais amigos de Jó, um ponto correto, qual seja, o que procura entender Deus através da revelação e não fazer com que Deus caiba dentro de nossos conceitos, ou melhor, preconceitos.

– Esta afirmativa de Eliú encontra plena guarida nas Escrituras Sagradas, que não se cansam de nos ensinar que somente podemos conhecer a Deus através de Sua revelação para nós, pois não temos condições de querermos entendê-l’O por nós mesmos (Is.55:8,9; I Co.2:9-16; Hb.1:1-3). Eis, aliás, um dos principais motivos pelos quais o discurso de Eliú teve mais correção do que os dos outros três amigos de Jó.

Eliú apresenta, ainda, uma outra virtude: a de saber ouvir. Apesar de ser jovem e, por natureza, os jovens sejam mais afoitos, conteve-se até perceber que os seus amigos, mais idosos, haviam se calado. Neste ponto, Eliú demonstra ter mais sabedoria do que seus amigos e se assemelha a Jó, que também só replicava quando seus amigos encerravam seus argumentos.

– Devemos sempre saber mais ouvir do que falar, sabendo que a palavra dita a seu tempo é a que tem validade e eficácia (Pv.15:23; 25:11; Is.50:4). Observemos que Eliú não dava valor à tradição nem à autoridade com base exclusiva na idade, mas, mesmo assim, esperou o momento oportuno para se manifestar. Será que temos agido assim, ou, na nossa ânsia ou razão, temos feito tudo a perder? Aprendamos com Eliú que “o ouvido prova as palavras, como o paladar prova a comida” (Jó 34:3) e saibamos ouvir tanto quanto sabemos experimentar as iguarias que nos põem à mesa nas refeições.

– Eliú apresenta, também, um desejo: o de ser imparcial. Ante os argumentos contraditórios e que haviam levado a um impasse nos debates entre Jó e seus amigos, o jovem Eliú pretende ser imparcial, ou seja, não tender nem para um lado, nem para o outro. Não deseja usar de lisonjas para com o homem, não deseja fazer acepção de pessoas, ou seja, não quer ser preconceituoso, não quer que suas concepções prevaleçam na discussão, não quer, como fizeram os outros amigos de Jó, apenas confirmar suas opiniões a respeito dos fatos, mas também não pretende beneficiar Jó, tratá-lo, “a priori”, como alguém inocente e sem culpa.

– Este deve ser o verdadeiro comportamento de um servo de Deus: o da imparcialidade, o do tratamento com isenção e com absoluto propósito de buscar a verdade, quando estiver diante de contendas e problemas a resolver. Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34) e nós devemos seguir-Lhe o exemplo.

– No estudo das Escrituras, devemos todos agir sem preconceitos. A Bíblia não deve ser estudada para ali nós encontrarmos a confirmação de nossas ideias ou conceitos, mas, bem ao contrário, devemos examiná-las para dela aprendermos sobre Deus e Seu amor para conosco. Não cometamos o mesmo erro dos escribas que, mesmo sabendo que nelas (Escrituras) estava a vida eterna, não puderam nela ver revelado o próprio Jesus por causa de seus dogmas (Jo.5:38-40).

– Até por ter este comportamento, Eliú revela ter maior proximidade a Deus do que os outros amigos de Jó, tanto que o chama de “meu Criador” (Jó 32:22), uma intimidade menor do que a do patriarca com Deus, mas bem maior do que a de seus outros amigos.

– Ao contrário dos seus amigos, verdadeiros deístas, que viam um Deus absolutamente distante e inacessível, Eliú, embora somente o veja como o Criador (enquanto que Jó, v.g., vê n’Ele o Redentor- Jó 19:25, a Sua esperança- Jó 13:15), pelo menos o chama de “meu Criador” (Jó 32:22; 36:3), a demonstrar uma maior intimidade, bem como a crença de que, caso fosse parcial, em breve, Deus determinaria a prestação de contas por força deste comportamento inadequado.

– Após este discurso primeiro, meramente introdutório, Eliú inicia o segundo discurso, onde vai expor suas razões a Jó e, uma vez mais, invoca a inspiração divina como fundamento para seu ponto-de-vista (Jó 33:4), negando, porém, que isto lhe fizesse melhor do que Jó, porque tem a mesma origem que a do patriarca (Jó 33:6).

– Acusa Jó de ter sido injusto para com Deus, pois não poderia considerar o Senhor como seu inimigo em virtude do sofrimento que estava passando, ainda que fosse alguém inocente, como afirmava ser (Jó 33:8-13).

III – QUAIS AS FINALIDADES DO SOFRIMENTO

– Correção divina. As Escrituras são taxativas em registrar para nós situações em que o sofrimento foi utilizado por Deus, como um instrumento de correção tanto para com os justos quanto para os ímpios. O salmista testemunha sobre essa sua experiência ao dizer: “Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra. Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos” (Sl 119.67,71). Vários outros casos podem ser encontrados em que servos de Deus e até mesmo nações enfrentaram algum tipo de sofrimento como sendo uma correção divina de determinadas atitudes: (a) Miriã devido a sua murmuração contra Moisés (Nm 12.1-10); (b) o rei Uzias devido a sua precipitação em queimar incenso no templo e a ira contra os sacerdotes (2Cr 26.19); (c) Geazi por conta da avareza e engano (2Rs 5.25-27); (d) o reino do Norte (Israel) e do Sul (Judá) devido a idolatria (Is 8.7; Ez 26.43-49); e, (e) Nabucodonosor pela sua soberba (Dn 4.28-34). Por estas e outras razões o apóstolo dos gentios afirmou: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2Co 7.10).

-Aprendizado. Embora saibamos que Deus pode se apropriar do sofrimento para corrigir falhas no caráter de alguém, o sofrimento não é usado por ele só com esse propósito. Por vezes, Ele usa a dor para nos advertir, mas também, utiliza-se do sofrimento para desenvolver em nós uma atitude de submissão (Hb 12.1-11), com o propósito de prevenir que determinados comportamentos não sejam vistos em seus servos (2Co 12.7), e aí estão algumas razões, nas quais devemos nos gloriar como disse o apóstolo Paulo: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança” (Rm 5.3,4). Com isso em vista, as Escrituras nos ensinam que é possível nesse nível de sofrimento, nos alegrarmos em meio as aflições (1Pd 1.8; 4.13; Tg 1.1-3), por entendermos que Deus está nos fazendo crescer (Gn 41.52).

-Glorificação a Deus. Encontramos nas páginas da Bíblia o ensino claro em que, o sofrimento vivenciado possui o propósito de levar o nome do Senhor a ser glorificado. Em resposta às indagações de seus discípulos ao perguntarem as razões que levaram a um homem ter nascido cego (Jo 9.2), Jesus afirmou: “Jesus respondeu: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Ao ser informado da grave enfermidade de Lázaro, por quem o Senhor tinha grande apreço, Jesus afirmou: “E Jesus, ouvindo isso, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11.4).

IV – ELIÚ DEU BONS CONSELHOS. O QUE É NECESSÁRIO PARA DAR BONS CONSELHOS?

O QUE É NECESSÁRIO PARA DAR BONS CONSELHOS ELIÚ DEU BOM EXEMPLO
Jó 32:4-7, 11, 12; 33:1
• PACIÊNCIA

• ESTAR ATENTO

• RESPEITO

• Eliú foi paciente. Ele esperou os mais velhos terminar de falar para depois começar.

• Ele escutou com atenção e assim entendeu melhor toda a situação antes de dar conselhos.

• Ele falou com Jó usando o nome dele e o tratou como amigo.

Jó 33:6, 7, 32
• HUMILDADE

• SER ACESSÍVEL

• COLOCAR-SE NO LUGAR DOS OUTROS

• Eliú foi humilde, bondoso e admitiu que também era imperfeito.

• Ele se colocou no lugar de Jó e entendeu seu sofrimento.

Jó 33:24, 25; 35:2, 5
• EQUILÍBRIO

• BONDADE

• FAZER AS COISAS DO MODO DE DEUS

• Com bondade, Eliú mostrou que o ponto de vista de Jó não era equilibrado.

• Eliú ajudou Jó a ver que o mais importante não era provar que ele estava certo.

• Os bons conselhos de Eliú ajudaram Jó a aceitar mais instrução do próprio Jeová.

CONCLUSÃO: Que aprendamos com Eliú, Quando chegou a vez de  falar, o que ele disse e o modo como tratou Jó foi bem diferente do que Elifaz, Bildade e Zofar fizeram. Eliú foi um amigo de verdade e soube dar conselhos. Vale a pena imitar seu exemplo. O verdadeiro amigo é aquele que dá conselhos que animam, e não aqueles que procuram censurar e manchar a conduta moral de seus amigos. Que aprendamos com Eliú, a ajudar os amigos na hora da angústia, no dia da adversidade Como disse o salmista:”Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; pôr-me-á sobre uma rocha(Sl 27:5) Amém.


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