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Lição 13 – A vigilância conserva pura a Igreja

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.

Publicado em 26 set 2020

Introdução

Estamos concluindo mais um trimestre, devemos louvar a Deus, pois até aqui nos ajudou o Senhor. Nos dias de Esdras e Neemias, após o retorno do exílio, o que mais o povo de Israel precisava era um Despertamento, e isto aconteceu. É hoje após o isolamento social, quase pôs pandemia, o que mais a igreja precisa? Um Despertamento Espiritual. Isso começa com vigilância Espiritual. Se vigilância é indispensável para o início e o desenvolvimento desse Despertamento Espiritual, oremos para que isso aconteça.

I – O QUE SIGNIFICA A VIGILÂNCIA

– Ao encerramos o estudo deste trimestre, onde procuramos, ao estudar os episódios que cercaram a formação da denominada “Comunidade do Segundo Templo”, desde a oração do profeta Daniel em Babilônia até o segundo governo de Neemias, extrair lições a respeito do avivamento espiritual, abordaremos a questão da vigilância espiritual.

– Nosso saudoso comentarista resolveu, na última lição, falar exclusivamente sobre a vigilância e seu papel no avivamento, sem fazer qualquer relação com os fatos históricos analisados ao longo do trimestre.

– Aqui, entretanto, procuraremos, ainda que de forma sucinta, fazer uma relação da vigilância com aqueles fatos históricos, até porque estamos diante de um “estudo de caso”.

– Logo no início do trimestre, vimos que todo o avivamento espiritual, ou até avivamentos espirituais, ocorridos neste período e que foram fundamentais para que a nação de Israel continuasse existindo e viesse a ser a pátria-mãe do Messias, que era o objetivo de todo este processo, iniciou-se com a oração do profeta Daniel, quando este viu que estavam se completando os setenta anos do cativeiro.

– Note-se, pois, que Daniel estava vigilante, durante todos os setenta anos em que esteve em Babilônia, jamais se esqueceu da profecia de Jeremias e decidiu se manter fiel ao Senhor desde o início porque aguardava o cumprimento da Palavra e a libertação de seu povo após o tempo previsto pelo Senhor para o cativeiro.

– A vigilância apresenta-se, pois, como uma atitude que revela, a um só tempo, as três “virtudes teologais”, quais seja, a fé, a esperança e o amor. A vigilância é resultado direto da fé. Por confiarmos em Deus, na Sua Palavra, ficamos atentos para não desagradar ao Senhor e podermos usufruir de Suas promessas.

– Sendo resultado da fé, a vigilância é uma atitude que tem por consequência a esperança, pois quem vigia, quem fica atento por causa da confiança na promessa, começa a aguardar o cumprimento da promessa, a se guiar conforme esta esperança, que, inclusive, motiva a santificação ( I Jo.3:3).

– Por fim, a vigilância, ao motivar a esperança, faz com que se tenha uma decisão firme de agradar a Deus, de guardar-Lhe a palavra e esta decisão nada mais é que expressão do amor a Deus, pois o próprio Senhor Jesus disse que quem O ama, guarda a Sua Palavra (Jo.14:23).

– Ao desenvolver as três “virtudes teologais”, que são hábitos que adquirimos por força da ação direta do Espírito Santo em nós, é uma espécie de “cotidiano” estabelecido pelo Senhor em Suas novas criaturas, à evidência nos aproximamos cada vez mais do Senhor, e isto produz um avivamento espiritual, que, como já vimos ao longo deste estudo, tem em uma de suas facetas precisamente o aumento da intensidade em nossa comunhão com Deus.

– Quando proferiu o Seu sermão escatológico, Jesus o concluiu com severas advertências a respeito da vigilância (Mc.13:32-37), demonstrando, assim, que a perseverança que se exige para a vitória sobre as forças do mal e, por conseguinte, para a salvação (Mt.24:13) necessita fundamentalmente da presença deste fator promotor do avivamento. Por isso, foi tão enfático ao dizer: “E as coisas que vos digo digo-as a todos: vigiai” (Mc.13:37). Mas o que é vigiar?

– Se formos ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, perceberemos que a palavra “vigiar” tem diversos significados, mas todos eles devem ser enfrentados para que entendamos o que o Senhor Jesus tem a dizer a respeito do tema, pois as Escrituras devem ser conhecidas em cada detalhe. Neste dicionário, há seis principais acepções de “vigiar”, a saber:

1 observar com atenção; estar atento a

2 observar secreta ou ocultamente; espreitar, espionar

3 cuidar com atenção, olhar por; velar

4 fazer fiscalização de; controlar, verificar

5 permanecer atento, alerta ou desperto

6 ficar de sentinela, de guarda, de atalaia

– Vigiar significa, em primeiro lugar, observar com atenção, estar atento a. Quem vigia é quem observa com atenção, que está atento. O Senhor revelou-nos o que irá acontecer para que os crentes sejam observadores de tudo o que está acontecendo à sua volta, a fim de que, com olhos espirituais, identifiquem e detectem nos acontecimentos do dia-a-dia a iminência, a proximidade da volta de Jesus.

– É por isso que não podemos concordar com aqueles que defendem que os crentes devem viver separados dos demais homens, da comunidade, completamente alienados a respeito do que acontece à sua volta. O crente deve ser uma pessoa bem informada, que tenha conhecimento do que se passa na sua vizinhança, no seu local de trabalho, na sua escola, no seu bairro, na sua cidade, no seu Estado, no seu país e no mundo. O crente deve ser pessoa que tenha conhecimento de tudo que está acontecendo, porque, só assim, poderá cumprir a ordem de Jesus, que é a de vigiar, ou seja, estar atento às coisas que estão acontecendo. Jesus, mesmo, jamais foi uma pessoa alienada, estava bem informado a respeito dos fatos e deles se aproveitava para pregar o Evangelho (cfr. Lc.13:1-5).

– Em termos de avivamento espiritual, torna-se necessário que o salvo tenha o devido discernimento do que está ocorrendo e, neste sentido, recorra ao Senhor não só para que tenha tal discernimento como também para que o Senhor tome as providências necessárias para o cumprimento de Suas promessas.

– Foi o que fez Daniel, quando notou que se aproximavam os setenta anos do cativeiro, ou, então, Esdras, quando entendeu que devia ir para Jerusalém, ou, ainda, Neemias, quando também entendeu que deveria promover a reconstrução de Jerusalém. Todos eles, cientes das circunstâncias que os cercavam, foram buscar ao Senhor para saberem como agir.

– Vigiar significa, em segundo lugar, observar secreta ou ocultamente, espreitar, espionar. O crente deve ser alguém que tenha discernimento, que possa ver além da superficialidade, que investiga o lado espiritual dos acontecimentos. O crente tem a mente de Cristo (I Co.2:9-16), ou seja, tem acesso à profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus (Rm.11:33) e, portanto, estando em comunhão com o Senhor, deve saber interpretar os acontecimentos sempre pelo ponto-de-vista espiritual.

– O crente, também, tem de ter o discernimento para identificar as astutas ciladas do diabo. Para isto, devemos fazer como Esdras que, no caminho para Jerusalém, orou e jejuou para sentir a mão de Deus sobre si e sobre o povo que com ele estava e, somente assim, pôde chegar ao seu destino, apesar das astutas ciladas do inimigo ao longo do caminho (Ed.8:21-31).

– Faz-se necessário que sejamos homens espirituais, ou seja, pessoas que têm o Espírito Santo e, por isso, pode receber a revelação a respeito das profundezas de Deus, tudo discernindo e de ninguém sendo discernido (I Co.2:9-16). Aliás, a vitória sobre o maligno depende de Ele estar conosco, para que, então, sejamos maiores do que o aquele que está no mundo (I Jo.4:4).

– Para sermos espirituais, à evidência, torna-se necessário que tenhamos intimidade com o Senhor, uma disciplina espiritual que nos leve à santidade, visto que o Espírito Santo somente está em comunhão com quem está separado do pecado, andando segundo o Espírito (Rm.8:1-9).

– Daniel tinha setenta anos de fidelidade ao Senhor e queria, sobretudo, a remissão do Seu povo, o cumprimento não só da profecia do retorno do cativeiro, mas da própria redenção de Israel, para que este pudesse ser, efetivamente, o povo santo e o reino sacerdotal que Deus propusera que eles fossem no monte Sinai. Não era diferente o objetivo tanto de Esdras quanto de Neemias. Eles enxergavam além do plano puramente terreno, mas, sim, contemplavam o plano da eternidade, os propósitos divinos para com os israelitas, porque eram homens de Deus, fiéis ao Senhor, homens piedosos, homens de oração.

– Vigiar significa, em terceiro lugar, cuidar com atenção, olhar por, velar. O crente deve cuidar da sua vida espiritual, da sua comunhão com Deus, da sua salvação. A salvação é algo que tem de ser preservado, conservado, como nos ensina a Bíblia Sagrada, pois somente aquele que perseverar até o fim será salvo (Mt.24:13). Por várias vezes, a Palavra de Deus nos aconselha a conservarmos uma vida de comunhão com Deus, uma vida de santidade e de obediência aos mandamentos do Senhor:

a) em Hb.3:6, é dito que somente aqueles que conservam firmes a confiança e a glória da esperança até o fim podem dizer que são a casa de Deus, que são templo do Espírito Santo, ou seja, que pertencem ao corpo de Cristo e, por isso, serão arrebatados.

b) em I Ts.5:23, é dito que o crente tem de manter conservado irrepreensível todo o seu ser (espírito, alma e corpo) para a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a mostrar, portanto, que a conservação de nosso ser debaixo da potente mão de Deus é indispensável para que sejamos arrebatados.

c) em Jd.1, os crentes são chamados de queridos em Deus Pai e conservados por Jesus Cristo, a indicar que somente aquele que se mantém em comunhão com o Senhor Jesus, que se submete a Seu senhorio, como vara ligada na videira, será arrebatado no dia da vinda do Senhor e, por isso, o mesmo Judas aconselha o povo de Deus a se conservar no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna (Jd.21).

– Os avivamentos espirituais ocorridos no período da formação da Comunidade do Segundo Templo foram iniciados por homens que cuidaram de suas vidas espirituais, mesmo estando em circunstâncias amplamente desfavoráveis. Daniel, Zorobabel, Jesua (ou Josué), Ageu, Zacarias, Esdras e Neemias eram homens que pautaram suas vidas na separação do pecado e na conservação da confiança e da glória da esperança, por isso conseguiram levar o povo a reconstruir uma sociedade sem perder a identidade como povo de Deus.

– Verdade é que não foram perfeitos, porque eram seres humanos, mas o Senhor, conhecendo as suas estruturas (Sl.103:14), soube ajudá-los quando foi necessário, a fim de que não desanimassem definitivamente ou perdessem o propósito divino, como ocorreu, por exemplo, no auxílio que os profetas Ageu e Zacarias deram a Zorobabel e Jesua (ou Josué) quando do embargo do segundo templo (Ed.5:1,2).

II– CARACTERÍSTICAS DA IGREJA QUE VIGIA:

Como as dez virgens da parábola tinham a obrigação de estarem devidamente preparadas aguardando o noivo, assim também todos os que professam Jesus como seu Senhor e Salvador devem estar prontos a recebê-lo quando de seu regresso. Vejamos quais as características que conservam uma igreja pura e vigilante à espera do rei:

1- Uma igreja que vive em prudência. Diversas mensagens foram proferidas pelo Senhor Jesus e seus discípulos, com o intuito de destacar a importância da prudência (Mt 24.32,33; Mt 25.1-13; Mt 24.45-47; Mt 24.37-39; Mt 24.43,44; Lc 12.39,40; 1Ts 5.2,3; 2Pd 3.10; Ap 3.3). O ladrão não avisa a hora da noite em que vai arrombar a porta e roubar uma casa, do mesmo modo o Senhor Jesus não vai avisar a hora em que virá buscar Seu povo. Então, Ele pede que vigiemos para não sermos pegos de surpresa: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24.27). Isto significa que ninguém terá tempo extra para se preparar (Mt 25.10,11); por isso, devemos vigiar.

2-Uma igreja que vive em perseverança. Paulo ao referir-se a bendita esperança da Igreja, aponta que devemos esperá-la com perseverança: “aguardando a bem-aventurada esperança […]” (Tt 2.13), o termo aguardando é a tradução da palavra “prosdechomai”, que significa: “dar boas-vindas, esperar”. E nessa forma verbal fica apontada uma contínua atitude de expectação, que a cada dia nos motiva a vivermos melhor. Ao termos essa esperança gloriosa em vista, somos fortalecidos para continuarmos sendo pacientes, ou seja, perseverantes, como adverte o apóstolo: “Sede pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor […] sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.7,8).

3-Uma igreja que vive em anelo pela volta de Cristo. Assim como em nossos dias toda noiva possui uma grande expectativa em relação ao dia de seu casamento, semelhantemente, a Igreja como noiva preparada (2Co 11.2; Ap 19.7), demonstra seu desejo de encontrar-se com o noivo que é Cristo: “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem […]” (Ap 22.17), aos que amam a vinda do Senhor, o apóstolo Paulo afirma que está garantida a coroa da justiça: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Tm 4.8).

4-Uma igreja que vive em santidade. Jesus anunciou antecipadamente que os dias que antecedem a Sua vinda, serão de extrema corrupção moral, comparando com o período antediluviano e a geração de Sodoma e Gomorra (Mt 24.37; Lc 17.28). Os apóstolos também fizeram a mesma afirmação (2Tm 3.1-5; 2 Pd 3.3). Sabedores disto, nós cristãos, devemos no meio desta geração pervertida, vigiar em santidade, a fim de não nos contaminarmos com o pecado (Fp 2.15). A santidade é tipificada na Bíblia como vestes (Ap 19.8,14), por sua vez, a falta de santidade pode ser retratada como vestes sujas ou a nudez (Zc 3.3,4; Ap 3.18; 16.15). A exortação bíblica é que devemos estar vestidos e com vestes limpas em todo tempo (Ec 9.8; Ap 3.4). Somente aqueles que estiverem vigilantes e em santidade poderão desfrutar das bênçãos advindas da volta do Senhor: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

CONCLUSÃO: Esforcemo-nos, portanto, para que sejamos vigilantes, tenhamos uma vida de oração, de santidade, cheia do Espírito Santo, com o verdadeiro e genuíno amor divino em nossos corações e com absoluta fidelidade e lealdade ao Senhor. Não nos deixemos perturbar pela apostasia daqueles que se deixam enganar pelo inimigo dando ouvido a doutrinas de demônio e a espíritos enganadores (I Tm.4:1). Nunca percamos de vista que a razão de ser da nossa fé é a vida eterna, é o convívio para sempre com nosso Senhor nas mansões celestiais. Vigiemos, pois, para que possamos resistir e, havendo feito tudo, ficar firmes. Que Deus nos ajude!


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