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Lição 4 – A SUTILEZA DA NORMALIZAÇÃO DO DIVÓRCIO 

Comentário da Lição - Pr. Jairo Teixeira Rodrigues

Publicado em 23 jul 2022

Mateus 19:1:9

Introdução: 

-Vejamos o Divórcio no Contexto Bíblico. Há dois aspectos a respeito do Divórcio que é o legal e o moral. E veremos também como a Igreja deve lidar com essa situação.

-O divórcio sempre foi um assunto delicado, mesmo no Antigo e Novo Testamento. Isto porque com o crescimento do pecado, a banalização do casamento, o homem se distanciou do princípio original de Deus para o matrimônio: a indissolubilidade do casamento.

– O divórcio é, para alguns casos, um remédio, nunca uma solução nem uma atitude que possa ser, de antemão, apreciada pelos cônjuges cristãos.

– A aceitação cada vez mais crescente do divórcio entre os que cristãos se dizem ser é uma cilada satânica que visa a destruição da própria Igreja, que é formada de famílias.

-A Palavra de Deus manda-nos venerar o matrimônio, ou seja, respeitar a instituição do casamento, dar- lhe a devida honra, e isto não será feito com a prática da “normalização do divórcio” ou a absorção, na convivência interna da igreja, das normas legais que, a cada dia, estão a desprestigiar o casamento, a retirar- lhe o papel que a nossa Constituição lhe dá, de principal forma de constituição da família.

– Aliás, por ser oportuno aqui mencionar, vemos que a igreja tem faltado com o seu dever de tratar dos problemas que envolvem os cônjuges de sua comunidade, bem assim de cuidar dos divórcios que têm ocorrido em seu interior. 

-Embora não partilhemos do entendimento de que o casamento seja um sacramento, é evidente que a igreja tem participação na construção das novas famílias em seu interior, tanto que se realizam cultos para que os cônjuges assumam compromissos perante a igreja em razão do casamento que estão efetuando, buscando a bênção de Deus e o reconhecimento da igreja para sua união. 

-Se assim é, no momento da dissolução do casamento, a igreja também deve intervir, não, logicamente, para o aspecto legal, pois, no Brasil, o casamento é civil e, portanto, não é nem constituído pela igreja, nem por ela dissolvido. 

-Nas últimas décadas, o número de divórcios mais do que dobrou; isto é, passou de 12% para 30%! Isto significa que, para cada 100 casamentos realizados no nosso país, trinta acabam em divórcio. São inegáveis os prejuízos do divórcio, e não desejo aqui aprofundar esse aspecto. 

-O que podemos fazer para enfrentar esse desafio? Primeiro, fortalecer a instituição do casamento em nossas igrejas. Precisamos dizer em alto e bom som que o casamento não é um contrato, algo precário e descartável, mas uma aliança entre um homem e uma mulher, diante de Deus. 

I – A VONTADE DE DEUS PARA O CASAMENTO

– Vivemos num país cuja formação cultural está intimamente relacionada com a Igreja Católica Apostólica Romana, que, inclusive, foi a religião oficial até 15 de novembro de 1889. 

-Uma das maiores influências da Igreja Romana em nossa cultura foi a do dogma da indissolubilidade do casamento, dogma este que está em desacordo com a Bíblia Sagrada e que tanta confusão lançou sobre a compreensão do tema divórcio no meio do povo de Deus.

– Embora tenha sido uma instituição criada pelo próprio Deus, o casamento não é um sacramento, como consideram os católicos, os ortodoxos e até os anglicanos, e, portanto, não é algo que jamais pode ser dissolvido. 

-Jesus indicou situação em que pode haver a dissolução do casamento além da morte, como defendem os teólogos das religiões mencionadas. 

-No tratamento deste assunto, portanto, tem o cristão sincero e verdadeiro de se despir dos dados culturais e tradicionais, passados de geração a geração como verdades absolutas, e se definir única e exclusivamente pelo que ensina a Bíblia Sagrada.


-A doutrina católica se baseia muito na figura dos sacramentos, que seriam ritos instituídos por Cristo ou pela Igreja, como sinais externos ou visíveis de uma graça interna ou espiritual. 

– A família é uma instituição divina, já que quem a criou foi o próprio Deus, pois, sem a família, o homem não poderia cumprir aquilo que lhe foi exigido pelo Criador, qual seja, o domínio sobre a face da Terra, algo que somente se poderia dar com a reprodução da espécie e a complementaridade entre homem e mulher.

– O casamento, entendido este como a forma pela qual, numa determinada sociedade, um homem e uma mulher demonstram, de forma inequívoca para os demais seres humanos, que “deixaram” seus pais e se “uniram numa só carne”, é a única forma biblicamente correta para a constituição de uma família.

– Dentro deste pensamento, portanto, não podemos deixar de reconhecer que o casamento, tanto quanto a família, é uma instituição divina, ou seja, algo que também foi criado por Deus.

-Tanto assim é que é imperioso que o casamento se dê debaixo da direção divina e que fiéis não se casem com infiéis.

– No entanto, apesar de ter origem divina, apesar de envolver um comprometimento de corpo e de mente, de corpo e de alma, não podemos entender, como fazem os católicos romanos, os ortodoxos e até mesmo os anglicanos, que o casamento seja um “sacramento”, ou seja, uma relação que é estabelecida pela própria ministração da graça divina e que, por isso, como tudo que Deus faz, é imutável, indissolúvel, insuscetível de terminar. Deus precisa estar presente no casamento, o casamento deve ser realizado segundo a Palavra de Deus, mas é, como a família, uma realidade terrena, que não abrange a dimensão celestial, ao contrário do que ensinam, erroneamente, por exemplo, os mórmons.

– Por causa disso, os laços do casamento, além de não serem eternos e não abrangerem a dimensão celestial, estão submissos ao próprio relacionamento individual de cada cônjuge com Deus, ou seja, o casamento, embora seja a mais íntima união que existe entre um homem e uma mulher sobre a face da Terra, não envolve a vida espiritual de cada cônjuge, ou seja, os laços do casamento são indiferentes no que respeita à relação de cada cônjuge com Deus. 

-Assim, apesar de casados, marido e mulher são individualmente responsáveis diante de Deus, de modo que Deus continua sendo a prioridade na vida de cada cônjuge. 

-Deste modo, ao contrário do que ensinam os católicos romanos e, inadvertidamente, muitos crentes que ainda não se libertaram da tradição e herança cultural católico-romana que impera no nosso país, existe um limite para o casamento, qual seja: a fidelidade a Deus. 

-Por causa disso, o divórcio, em situações extremas e excepcionais, é possível e não pode a origem divina do casamento ser confundida com o dogma católico da indissolubilidade.

-Não nos iludamos: o divórcio trará consequências inevitáveis na formação dos filhos, que sempre serão prejudicados, que jamais atingirão o ponto ótimo de sua formação, uma vez que isto somente se daria diante da manutenção do casamento.

II – O DIVÓRCIO NO AT. E NT.

-É importante pontuar que o divórcio não se originou nas Escrituras. 

-Muito antes de Moisés, na história na humanidade, já existem registros da prática entre os povos antigos. 

-Um exemplo bem prático disso é o código de Hamurabi (código de lei e ética caldeu -1792-1750 a.C.).

-(Dt24.1-4). A Lei de Moisés prescreve as razões para essa prática em termos tão gerais que se torna quase impossível explicar os motivos que justificam o divórcio. 

-A expressão em Dt. 24.1 no hebraico “erwar dabar” e na Septuaginta (LXX) que é a versão do AT hebraico para o grego “aschemon pragma” significa “coisa vergonhosa”. 

-No português é “coisa indecente nela” (ARA – Almeida Revista e Corrigida), “por nela achar coisa feia” (ARC – Almeida Revista e Corrigida); para os hebreus a expressão não parecia tão clara, sendo, portanto, objeto de controvérsia dando origem as duas principais escolas dos rabinos Shammai e Hillel. 

-Entretanto, o Senhor Jesus como veio cumprir a Lei e não ab-rogá-la (Mt. 5.17), deu o verdadeiro sentido ao termo, utilizando uma expressão mais específica: porneia “relações sexuais ilícitas” (Mt 19.6).

-Se uma esposa fosse acusada falsamente de pecado sexual pré-marital pelo marido (Dt 22.13-19); 

-Quando um homem desvirginasse uma jovem, e o pai dela o compelisse a desposá-la (Dt. 22.28,29). 

-Dr. Alfred Edersheim, judeu cristão que viveu no séc. XIX com profundo conhecimento em cultura judaica, afirma que para os judeus da época, era motivo para o divórcio: 

a)a mulher apresentar-se em público com os cabelos soltos; b)andar pelas ruas desnecessariamente; 

c)falar com familiaridade com homens; 

d) maltratar os pais do marido na presença dele; 

e)gritar com o marido de maneira que os vizinhos pudessem ouvi-la; 

f)ter má reputação, fraudes antes do casamento (SOARES, 2012, p. 28). 

-No AT em caso de adultério, em linhas gerais, a pena era a morte, e não o divórcio (Lv. 20.10; Dt.22.22). 

-Há duas citações em que o divórcio foi praticado quando os judeus retornavam do exílio de Babilônia por causa do caso de casamento mistos (Ed 9 e 10; Ne 13.23). 

-Embora a lei mosaica permitisse o divórcio, Deus Odeia(Ml 2.16). 

-Moisés não ordenou o divórcio, apenas permitiu, o divórcio não era mandamento, apenas permissão.

-No NT. Jesus falou sobre o divórcio no seu célebre Sermão do Monte (Mt 5.31,32). 

-O assunto torna a aparecer quando os fariseus o trazem a Jesus (Mt. 19.3; Mc 10.2). 

 -Eles queriam saber se Cristo tomaria partido de qual das duas escolas rabínicas da época: a primeira era a Escola de Shammai, “[…] que dizia que o homem não podia se divorciar de sua esposa a menos que encontrasse nela alguma indecência (coisa feia); e a Escola de Hillel, que defendia que ele podia se divorciar até mesmo se ela tiver estragado um prato que preparou para ele […]” (KÖSTENBERG, 2011, p. 237). 

-Porém a resposta de Jesus transcende as discussões legalistas das duas escolas rabínicas e atinge o cerne da questão. 

-O Senhor Jesus em sua resposta focaliza o propósito original do plano de Deus para o casamento e sua indissolubilidade (Mt. 19.4­6), e argumenta que o divórcio contradiz, essencialmente o propósito da criação de Deus.

-(Mt. 5.31,32) – ao contrário das escolas rabínicas de Shammai e Hillel, o Senhor Jesus agora restringia o divórcio “[…] exceto em caso de relações sexuais ilícitas (gr. porneia)”. 

-Ele não deve ser uma regra geral, nem praticado indiscriminadamente. 

-Jesus ao restringir combate os abusos de sua época (Jo 4.18).

-(Mt. 19.3-12) – Neste texto, Jesus deixa claro que o divórcio não foi uma instituição divina, mas humana “[…] pela dureza do vosso coração é que Moisés PERMITIU repudiar vossas mulheres; entretanto NÃO FOI ASSIM DESDE O PRINCÍPIO” (Mt 19.8), logo o divórcio não veio por causa do adultério, mas foi permitido por causa da degeneração da raça humana. Esse texto não quer dizer que Jesus estava ensinando que a parte inocente deveria divorciar-se do cônjuge infiel, mesmo tendo base legal para o divórcio. Jesus nunca estimulou ou encorajou o divórcio. Mas que o único divórcio e novo casamento que não equivalia ao adultério era o da parte inocente, cujo cônjuge fora infiel. 

-O divórcio não deve ser a primeira opção em infidelidade conjugal, mas o perdão (Mt. 18.21-35; Lc17.4).

. Aos casais crentes (1Co 7.10-11) – O apóstolo, nesta passagem, fala de casais mistos e de casais crentes. 

-No vers. 10 ele condena terminantemente a separação do casal crente. 

-Não existe, a luz da Bíblia base legal para o divórcio, exceto em situação excepcional (Mt. 5.31,32). 

-A lei do país, que permite o divórcio, não está acima da Palavra de Deus. 

-A conduta do cristão é norteada pelas Escrituras. Os cristãos devem seguir o padrão bíblico do casamento: a indissolubilidade.

. Aos casais mistos (1Co 7.12-15) – Em caso de casamento misto, o apóstolo recomenda que se o cônjuge descrente, consente em viver com o cristão, “[…] não a [o] deixe […]”. -Porém se o cônjuge descrente quiser separar-se, o casamento não é obrigatório. 

-Depois da separação o cônjuge crente estará livre para contrair novas núpcias. 

-Em outras palavras, o divórcio nas Escrituras só é permitido em dois casos: 

1) a parte inocente pode divorciar-se de seu companheiro, caso este seja culpado de imoralidade; 

2) o crente pode concordar com a deserção de seu cônjuge incrédulo, se este se recusar a continuar vivendo em sua companhia.

CONCLUSÃO

-O Padrão bíblico para o casamento é que ele seja heterossexual, monogâmico, e indissolúvel(Mt 19:4-6).

-A respeito do divórcio o aspecto legal e moral, nos leva como cristãos, a aceitar normalmente as pessoas divorciadas, amando e orando por elas. 

-Todavia vejo a sutileza de satanás na normalização do divórcio;

1-Ninguém quer perdoar mais seu companheiro. 

2-Qualquer coisa agora é motivo de divórcio. 

3-Tem gente trocando de esposa(o), como quem troca de roupa.

-É preciso cuidar das pessoas divorciadas, dando-lhes auxílio espiritual e psicológico, em muitos casos. 

-A Palavra de Deus manda-nos venerar o matrimônio, ou seja, respeitar a instituição do casamento, dar- lhe a devida honra, e isto não será feito com a prática da “normalização do divórcio” ou a absorção, na convivência interna da igreja, das normas legais que, a cada dia, estão a desprestigiar o casamento, a retirar- lhe o papel que a nossa Constituição lhe dá, de principal forma de constituição da família.

– A destruição do casamento é uma armadilha do diabo para a destruição da família e a destruição da família leva à destruição da sociedade. Adotar uma política de “normalização do divórcio” é destruir as famílias e as igrejas locais são formadas de famílias.

– Toda civilização foi destruída, todo povo foi destruído por causa da destruição das famílias, é um dado histórico irrefutável. O povo de Israel não foi destruído porque o Senhor levantou Esdras, cerca de 80 anos após o término do cativeiro, para impedir que as famílias judias fossem destruídas pela mistura com os gentios (Ed.9).

– Será que teremos Esdras hoje para preservar um remanescente entre os que cristãos se dizem ser até a mui próxima vinda do Senhor? Que Deus guarde nossos casamentos. Amém.


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