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Lição 4 – RESGUARDANDO-SE DE SENTIMENTOS RUINS

COMENTÁRIO COM O PR. JAIRO TEIXEIRA RODRIGUES

Publicado em 21 abr 2022

Comentário da lição pra o fim de semana com o Pr. Jairo Teixeira Rodrigues (Direto de Cuiabá – MT)..

Introdução:  Nessa lição, No sermão do monte, vamos observar, claramente, que as prescrições legais, as interpretações dadas pelos “especialistas”, os raciocínios humanos são completamente insuficientes e insatisfatórios para moldar uma conduta e um comportamento que agradem a Deus. Para que tenham um caráter agradável ao Senhor, indispensável que tenham uma radical transformação, o que se obtém mediante a fé em Jesus, a regeneração, a justificação e santificação decorrentes da salvação.

– O Senhor Jesus começa a sua comparação entre a Sua doutrina e o entendimento dos “antigos” falando a respeito do sexto mandamento proferido por Deus no Monte Sinai, o primeiro mandamento da segunda tábua, que trata dos mandamentos relacionados ao próximo, que é o mandamento que proíbe o assassinato: “Não matarás”.

– Por primeiro, é interessante ver a expressão de Jesus, que será repetida algumas vezes no sermão: “Ouvistes o que foi dito aos antigos”. Cristo nitidamente mostra que agora estamos em um novo instante do plano de Deus para o homem. Não é mais o “antigo”, mas o “novo”. Não será à toa que, ao instituir a ceia do Senhor, Jesus dirá que estava a instituir “a nova aliança no Seu sangue” (Mt.26:28; Mc.14:24; Lc.22:20; I Co.11:25).

– Paulo, mesmo, dirá, posteriormente, que somos ministros de “um novo testamento” (II Co.3:6), a indicar, portanto, que estamos em um novo momento da história da redenção, inaugurado por Jesus, o mediador deste “novo testamento” (Hb.9:15; 12:24).

– O apóstolo João, inclusive, também fala disto, ao dizer que os servos de Cristo estão sob um “mandamento novo” (I Jo.2:8), ainda que este “mandamento novo” seja também o “mandamento antigo” (I Jo.2:7).

“Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo […].” (Mt 5.22).

A cólera e a ira não podem dominar o coração do crente. Elas devem ser evitadas e vencidas com o ensino do Evangelho.

I – O EVANGELHO E O ANTINOMISMO

-O antinomismo é uma Doutrina de que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são libertados não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura.

-No Evangelho – O discípulo de Jesus ama a todos os homens, porque é como o seu Mestre, Que amou a todos a ponto de ter dado Sua vida por todos os seres humanos (Jo.15:13), que tem como único intento salvar a humanidade (Jo.3:17). Ser cristão é ser “um pequeno Cristo”, ser “parecido com Cristo” e, deste modo, em momento algum pode querer, sem motivo, que alguém seja cerceado, anulado ou, no limite, eliminado da face da Terra.

– O apóstolo João bem compreendeu este ensino de Cristo e foi claro ao dizer que quem aborrece o seu irmão é homicida (I Jo.3:15a) e isto vemos, como já dissemos supra, clarissimamente na vida de Caim. Caim primeiro aborreceu seu irmão e, por tê-lo aborrecido, acabou por derramar-lhe o sangue.

– O “apóstolo do amor” ainda afirma que quem é homicida não tem permanente nele a vida eterna (I Jo.3:15b), ou seja, é alguém que não tem comunhão com o Senhor, e, por isso mesmo, ficará do lado de fora da cidade santa (Ap.21:7), até porque tem um caráter que o identifica com o diabo, que é homicida desde o princípio (Jo.8:44).

– E por que o diabo é homicida desde o princípio? Porque ele sempre aborreceu o ser humano, odiou-o desde o instante mesmo de sua criação, visto que pôde observar que se tratava de um ser que fora criado para ter comunhão com Deus, comunhão que ele havia perdido. Este ódio aumentou ainda mais quando soube ele que o homem, tendo pecado, ao contrário dele, teria a chance do perdão.

– Por isso, o título de nossa lição fala de “se resguardar dos sentimentos ruins”, porque são estes sentimentos de menosprezo, desprezo e vilipêndio da figura do ser humano que levam, no limite, ao derramamento de sangue, mas o pecado já se encontra no exato instante em que se tem tal sentimento, em que se dá guarida a um aborrecimento do próximo.

– Não é por acaso que o Senhor Jesus vai dizer que é do coração que procedem todos os pecados (Mt.15:10- 20) e que é do interior do homem que vem a contaminação. Quando fazemos prevalecer o nosso “eu” e, como se fôssemos Deus, decidimos quem merece e quem não merece a nossa consideração, esquecendo que Deus fez a todo ser humano como Sua imagem e semelhança, estamos iniciando um caminho perigosíssimo, que nos faz “réu do sinédrio”.

– Na verdade, quem assim desconsidera o seu semelhante, como diz as Escrituras, já é um homicida e o fato de ter, ou não, derramado o sangue do outro é mero pormenor, mero aproveitamento de uma oportunidade. Caim já era homicida quando passou a odiar Abel e derramou o sangue inocente quando teve oportunidade, quando estava a sós com ele no campo, mas já fora, inclusive, repreendido antes disso pelo Senhor.

-Não Vivemos debaixo da Lei. (Legalismo);

-Também não podemos viver sem Lei(antinomismo);

-A Lei de Cristo é um Evangelho que liberta(Gl 5:1).

II – A CÓLERA CAMINHO PARA O HOMICÍDIO

-Cólera: é um Impulso violento, irritação forte que incita contra o que nos ofende ou indigna; fúria, furor, ímpeto, ira. E’ um Sentimento de justiça que se atribui a Deus quando castiga as culpas dos homens.

-“Certamente a CÓLERA do homem redundará em teu louvor; o restante da CÓLERA tu o restringirás”. (Salmos 76:10)

“Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua CÓLERA; nem há paz em meus ossos, por causa do meu pecado”. (Salmos 38:3).

-Os “antigos” disseram “não matarás”. Na verdade, quem o disse foi Deus no monte Sinai, mas os doutores da lei interpretavam este mandamento como sendo “não assassinar”, ou seja, “não matar alguém com vontade de o fazer, derramando o seu sangue”.

– O sexto mandamento é “Não matarás” (Ex.20:13; Dt.5:17). A palavra original hebraica é “retsach”, cujo significado é o de “assassinar”, ou seja, matar de forma voluntária, de modo premeditado, com a intenção de eliminar a vida do próximo, o que, na linguagem jurídica hodierna, corresponde ao chamado “homicídio doloso”, ou seja, com a vontade livre e consciente de matar.

– A palavra “assassinar” tem origem árabe. Como explica o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: “…antepositivo, do árabe ḥaxxīxīn ‘consumidor de haxixe’, derivado do árabe haxix ‘cânhamo’, pelo italiano assassino, era o nome por que eram conhecidos, no século XI, os membros de uma seita xiita ismaelita fundada (cerca de 1090) pelo persa Hasan ibn al-Sabbah, os quais, embriagados pelo haxixe, costumavam assassinar chefes cristãos ou muçulmanos”.

– A Declaração de Fé das Assembleias de Deus assim diz a respeito deste mandamento: “…O sexto mandamento, ‘não matarás’, significa ‘não assassinar’. Por esse mandamento, Deus proíbe o assassinato e busca proteger a vida. O direito à vida é um bem pessoal e inalienável; sua preservação e proteção fazem parte de nossa responsabilidade como administradores da vida…” (Cap.XVIII.5, p.159).

III – O LEVAR A “OFERTA AO ALTAR” E AS DESAVENÇAS

-O discípulo de Jesus é alguém que se apresenta diante de Deus, que cultua a Deus, que adora ao Senhor. Por isso, o Senhor diz, com muita naturalidade: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar” (Mt.5:23).

– Evidentemente que Jesus usava uma linguagem relativa ao culto cerimonial da lei, até porque havia nascido sob a lei (Gl.4:4), mas Sua expressão está a se referir ao fato de que é próprio do discípulo de Cristo cultuar a Deus. E este culto não é apenas individual, até porque a adoração em espírito e em verdade que nos é requerida independe do local (Jo.4:21-24), mas é também uma adoração coletiva, feita em locais designados para isto.

– O discípulo de Cristo “traz a sua oferta ao altar”, ou seja, tem um local coletivo em que adora a Deus, presta- Lhe culto e realiza a Sua obra, a sua igreja local. Vemos, deste modo, quão distante da condição de discípulo de Jesus estão os “desigrejados”…

– No entanto, somente podemos trazer a oferta diante do altar se estivermos em comunhão com Deus. Aqui Jesus já nos mostra a diferença que haveria entre o Seu discípulo e os adoradores do tempo da lei. Ninguém podia se chegar a Deus, no tempo da lei, em comunhão com Ele, porquanto havia uma separação permanente entre o Senhor e os homens, simbolizada pelo véu que separava o lugar santíssimo do lugar santo.

– Entretanto, desde quando Jesus morreu na cruz do Calvário, este véu se rasgou de alto a baixo (Mt.27:51; Mc.15:38; Lc.23:45), tendo nós, por Cristo, pleno acesso ao lugar santíssimo (Hb.10:19,20). Por isso, quando traz oferta ao altar, já está em comunhão com Deus, pois sua oferta é pacífica, não é mais pelo pecado, pois este sacrifício já foi realizado uma vez por Cristo, sendo perfeito (Hb.10:10-12).

– O sacrifício de Jesus promoveu a reconciliação entre Deus e os homens. Na cruz, como diz o apóstolo Paulo, Deus estava em Cristo reconciliando conSigo o mundo, não lhes imputando os pecados e pondo em nós a palavra da reconciliação (II Co.5:19).

– Há três palavras gregas que são traduzidas por “reconciliação” na Versão Almeida Revista e Corrigida (ARC).

-Ela é utilizada no texto mencionado de Paulo, “katalasso” (καταλάσσω), que é composta de “alasso”, que significa “mudar” e “kata”, partícula que tem o significado de “para baixo”, ou seja, algo que vem “de cima”. “…No texto grego do Novo Testamento mudar com relação a, i.e., uma pessoa em relação a outra; reconciliar-se com alguém…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 2644, p.2257).

– Aqui vemos que “…O Divino Filho de Deus Se fez homem para que, entrando em Sua criação, pudesse trazer a criação de volta ao Pai. Em Jesus Cristo, Ele reconciliou o mundo com Deus por meio de sua obra na cruz….” (Katalasso. Disponível em: https://ltogether.org/word-study/katalasso

Acesso em 24 fev. 2022 tradução via Google de texto em inglês). Deus, por meio de Cristo, vem e reconcilia o mundo consigo, concede esta benesse para o homem.

– Mas, uma vez reconciliado com Deus, a pessoa tem de, também, segundo o ensino do Senhor Jesus, reconciliar-se com o seu próximo e aqui a palavra empregada por Cristo é outra, a saber, “dialasso” (διαλάσσω), empregada só esta vez em todo o Novo Testamento. Aqui, embora tenhamos o mesmo verbo “alasso”, cujo significado é mudar, temos uma outra partícula, “dia”, cujo significado é de transição, de mutualidade. “…Mudar os nossos próprios sentimentos em relação a algo, reconciliar-se, tornar-se

reconciliado…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 1259, p.2143). Quando utilizamos “dialasso”, estamos dizendo “…reconciliar quando a falha pode ser devida às duas partes interessados…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 2644, p.2257).

– Assim, se Deus, absolutamente perfeito, vem, por amor, reconciliar-se com o mundo, por meio de Cristo, que paga a culpa dos homens pecadores, o Senhor Jesus está a falar aqui de “reconciliação entre imperfeitos”, entre pessoas que têm falhas mas que precisam viver em paz, viver em comunhão, cessar as suas intrigas e diferenças, reconhecendo cada uma das suas próprias culpas, algo que o irmão do Senhor, Tiago, denominaria de “confessar as culpas uns aos outros” (Tg.5:16).

– Costuma-se discutir esta passagem do sermão do monte a respeito de quem deve tomar a iniciativa da reconciliação: o que está certo ou o que está errado, por que Jesus afirma: “se te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti”. Aí, alguns dizem que quem deve tomar a iniciativa é o “inocente”, porque errado seria aquele que tem algo contra ti, enquanto outros dizem o contrário, pois se alguém tem algo contra ti é porque foi a pessoa que o ofendeu.

– Todavia, tal discussão não tem cabimento quando vemos que o sentido da palavra “reconciliação” aqui pressupõe um “diálogo”, pressupõe pessoas igualmente falhas, pois raramente numa intriga, numa desavença, teremos um “mocinho” e um “vilão”. Somos todos imperfeitos e necessitamos, para alcançar a perfeição que é exigida pelo Senhor Jesus de Seus discípulos (Mt.5:20,48), obter a reconciliação com o nosso próximo, com o nosso irmão.

– Aqui exsurge, também, a discussão de quem seria este “irmão”. Trata-se de qualquer pessoa, o próximo, ou apenas daquele que é também discípulo de Jesus? A dificuldade aumenta porque a palavra grega “adelphos” (αδελφός) é utilizada em ambos os significados no texto bíblico.

– As Escrituras dizem que, enquanto depender de nós, devemos ter paz com todos os homens (Rm.12:18), mas também afirma que não é possível ter comunhão entre a luz e as trevas e que não podemos nos prender com jugo desigual (II Co.6:14). O texto em comento fala da necessidade de termos comunhão com o irmão antes de querermos expressar nossa comunhão com Deus no culto.

– Sendo assim, uma interpretação do texto é que o irmão é, em primeiro lugar, o outro discípulo de Cristo, com quem não podemos, em absoluto, ter quebra de comunhão. Somos todos membros em particular do corpo de Cristo (I Co.12:27) e o corpo de Cristo não sofre de autoimunidade. No entanto, não se pode excluir a hipótese de procurarmos nos acertar, por nossos erros, com quem não professa a nossa fé em Jesus, porque, embora não tenhamos comunhão com eles, não podemos ter intrigas em razão de nossas imperfeições e sempre devemos fazer o bem a todos, sob pena de estarmos cometendo pecado (Tg.4:17).

– O culto a Deus, mostra-nos o Senhor Jesus, tem uma dimensão coletiva. Não se pode estar em comunhão com Deus se não se estiver em comunhão com os irmãos, os demais discípulos, devendo o servo de Jesus também tomar todas as iniciativas para fazer cessar as diferenças decorrentes de suas imperfeições com os demais homens.

– Esta busca da reconciliação não deixa de ser mais uma demonstração do mesmo amor que Deus revelou em relação aos homens, a ponto de, em Cristo, reconciliar consigo o mundo. Ora, se um Deus perfeito e santo teve tal gesto de boa vontade para com os miseráveis pecadores que eram os homens, como pode alguém que se diga discípulo de Jesus e que foi alcançado por este amor negar a reconciliação com outro igualmente salvo e mesmo com os perdidos, por quem também Jesus morreu (II Co.5:14,15).

– O discípulo de Jesus não pode, portanto, guardar mágoas nem ressentimentos, nem tampouco permitir que haja mágoas e ressentimentos nos corações dos outros por causa de suas atitudes. Esta raiz de amargura pode nos privar da graça de Deus, trazendo danos a muitas pessoas (Hb.12:15).

Conclusão: Raca é a palavra que em nossas Bíblias se traduz por “néscio”. É uma palavra quase impossível de traduzir, porque a gradação de seu significado dependia do tom de voz que se usasse ao pronunciá-la. A ideia dominante deste insulto é a do desprezo. Chamar a alguém raca era lhe dizer estúpido, idiota sem miolos, imprestável e nulo. É a palavra que escutaremos na boca de quem despreza a outro com absoluta arrogância. Entre os judeus há uma história de um certo rabino, Simão Ben Eleazar, que saía da casa de seu professor, sentindo-se exaltado pela consciência de sua própria sabedoria, erudição e bondade. Nesse momento cruzou por ele alguém muito pouco favorecido em seu aspecto, quem o saudou. Sem responder à saudação Ben Eleazar lhe gritou: “Raca! Quão feio você é! Todos os homens de sua cidade são tão feios como você?” O caminhante lhe respondeu: “Isso não sei. Vá e diga ao Criador que me fez uma criatura tão feia como sou.” Este foi o modo como se castigou o pecado de desprezo. O pecado de desprezo é merecedor de um castigo ainda mais sério. Deverá ser julgado pelo Sinédrio, a corte suprema dos judeus. É óbvio que isto não deve ser tomado literalmente. É como se Jesus tivesse dito:

“O pecado da ira inveterada é mal, mas o do desprezo é pior.” Não há pecado tão pouco cristão como o do desprezo. Há um desprezo que se baseia no orgulho da estirpe, e o esnobismo é realmente uma coisa feia. Há uma atitude de superioridade que obedece à posição e o dinheiro que se têm, e o orgulho pelas coisas materiais também é algo vil. Há um orgulho dos que desprezam os que sabem menos que eles, e de todos orgulhos este é o mais difícil de entender, porque nenhum homem verdadeiramente sábio jamais se sentiu impressionado por outra coisa senão por sua própria ignorância. Não podemos olhar depreciativamente a ninguém, porque Cristo morreu por todos.


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