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LIÇÃO Nº 4 – A ESTRUTURA DA BÍBLIA

Comentário Pr. Jairo Teixeira Rodrigues

Publicado em 22 jan 2022

Texto: Lucas 24.44-49.

Introdução:  Conhecer a estrutura da Bíblia, isto é, ter uma visão mais ampla, é muito importante para compreender um livro específico das Sagradas Escrituras. Esse conhecimento nos ajuda a compreender que a mensagem da Bíblia é a história da nossa Redenção […] Assim, quando estivermos acostumados com às classificações estruturais da Bíblia, adquiriremos uma boa base para prosseguir com os nossos estudos individuais e devocionais da Palavra de Deus. A Bíblia se divide em Antigo e Novo Testamentos, totalizando 66 livros, divinamente inspirados. Toda ela é nossa única regra de fé e prática.

I – COMO A BÍBLIA ESTÁ ORGANIZADA

1. Definição do termo Bíblia: Bíblia (Gr: biblos): ‘livro’, tem conotação de qualidade sagrada

-Por volta do ano 150 d.C. os cristãos passaram a usar o termo em grego a bíblia (os livros) para referir-se ao conjunto de livros inspirados por Deus

-A coleção de livros sagrados forma um único livro: A Bíblia ou ‘as Santas Escrituras’ (Rm 1.2)

– O Cânon da Bíblia: ‘Cânon’: (Hb: qãneh) = Vara de medir; (Gr: kanõn) = régua

– ‘Cânon’: Na teologia é empregado como ‘norma’ de avaliação para identificar os livros sagrados.  São os 66 livros aceitos como divinamente inspirados

-O cânon já está completo e nada deve ser tirado ou acrescentado (Ap 22.18,19)

-Os livros do Novo Testamento confirmam o Antigo Testamento e, por meio, dos

Evangelhos, Histórico, Epístolas e Revelação aprofundam a história da salvação confirmada

em nosso Senhor na plenitude dos tempos (Gl 4.4). Ao longo do tempo, a Igreja de Cristo

cultivou um profundo respeito e reverências aos livros que Deus inspirou por intermédio do

Seu Espírito. O Antigo e Novo Testamento, são uma fonte de revelação divina para o crente .

II- A ESTRUTURA DO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO

– Conforme já temos visto até aqui, o que os cristãos denominam de “Antigo Testamento” é uma coletânea de escritos dos judeus, produzidos durante mais de 1300 anos, coletânea esta que os judeus denominam de “TaNaCH”, designação que revela a sua estrutura, a saber:

a) Torah – São os Livros da Lei, a Escritura considerada de maior valor entre os judeus, que reúne os cinco livros escritos por Moisés (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). É a parte denominada de “lei” e que, até hoje, é lida anualmente em sua íntegra pelos judeus em suas sinagogas. Na época de Jesus, era a única parte das Escrituras aceita pelos saduceus. b) Neviim – São os Profetas, ou seja, os escritos deixados tanto pelos chamados Profetas Anteriores (os profetas mais antigos: Josué, Juizes, Samuel e Reis) e os Profetas Posteriores (os profetas mais recentes: Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas Menores).

c) CHetuvim – Os Escritos ou Tudo o mais, ou seja, livros poéticos(Jó, Salmos e Provérbios), os chamados “cinco rolos” (Rute, Cantares, Eclesiastes, Lamentações, Ester) e livros históricos escritos tardiamente, ou seja, após o cativeiro da Babilônia (Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas).

– Esta estrutura judaica pouco foi alterada pelos estudiosos cristãos das Escrituras, que dividiram o Antigo Testamento em quatro partes: a Lei (idêntica à Torah judaica), Livros Históricos (Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester), Livros Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares) e Livros Proféticos (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Ageu, Sofonias, Zacarias e Malaquias). Em razão desta classificação é que foi feita a disposição dos livros em nossa Bíblia.

– Estes foram sempre os livros reconhecidos como autênticos pelos judeus desde o tempo de Esdras, que a tradição judaica indica ter sido o responsável pela elaboração do “cânon judaico”, ou seja, da relação dos livros considerados provenientes da inspiração divina.

– Esta tradição tem sido contestada ultimamente, mas não vemos razões para dela duvidar, já que a Bíblia informa-nos que Esdras era um escriba, ou seja, alguém cujo ofício era, precisamente, escrever os textos sagrados, bem como que sua missão foi a de organizar o culto a Deus após o retorno do cativeiro da Babilônia (Ed.7:1-6,10), razão pela qual tem sido chamado pelos judeus de “segundo Moisés”.

– Assim, se as Escrituras indicam que este era o trabalho de Esdras e a tradição aponta-o como tendo sido o fixador do “cânon”, não vemos porque duvidar disto, até porque se trata de uma tradição que, nos dias de Jesus, foi explicitamente acolhida por Flávio Josefo, o principal historiador judeu. Este reconhecimento foi repetido em 90 ou 95 d.C. no famoso “concílio judaico de Jamnia ou Iavne”, cidade da Palestina onde se reuniram os principais rabinos e reafirmaram a relação dos livros sagrados, até hoje seguida pela comunidade judaica de todo o mundo.

OBS: “… Não pode haver, de resto, nada de mais certo que os escritos autorizados entre nós, pois que eles não poderiam estar sujeitos a controvérsia alguma, porque só aprova o que os profetas escreveram há vários séculos, segundo a verdade pura, por inspiração e por movimentos do espírito de Deus. Não temos, pois, receio de ser entre nós um grande número de livros que se contradizem. Temos somente vinte e dois que compreendem tudo o que se passou, e que se refere a nós desde o começo do mundo até agora, e aos que somos obrigados a prestar fé. Cinco são de Moisés, que refere tudo aconteceu até sua morte durante perto de três mil anos e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas, que sucederam a esse admirável legislador, escreveram em treze outros livros tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas, e os quatro outros livros, contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes.(…) ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes as mínimas coisas. Nós os consideramos como divinos, chamemo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo(…). (JOSEFO, Flávio Contra Ápio. In: História dos hebreus. Trad. de Vicente Pedroso, v.3, p.216).

– Verdade é que, além destes livros, e o próprio Josefo reconhece, também eram lidos e estudados outros escritos além destes, mas sem que fossem reconhecidos como tendo sido inspirados por Deus, algo como o  que ocorre entre nós, atualmente, com toda a vasta literatura que tem sido produzida ao lado da Bíblia Sagrada, que serve para nosso conhecimento e erudição, mas que não desempenha qualquer papel em termos de alimentação espiritual. Dentre estes livros estão os chamados “livros deuterocanônicos”, ou seja, os livros do “segundo cânon”, que foi o cânon aprovado pela Igreja Romana no Concílio de Trento (1545-1563), até hoje seguido pelos católicos, cujo Antigo Testamento possui sete adições em relação ao nosso e ao judeu, com o acréscimo dos livros de Tobias, Judite, I e II Macabeus, Baruque (incluído nele a Epístola de Jeremias, que é seu capítulo sexto), Sabedoria, Eclesiástico, capítulos 13 e 14 de Daniel, capítulo 10 a partir do versículo 3, exclusive, de Ester. Eles serão estudados oportunamente, quando veremos porque não podem, mesmo, pertencer ao cânon das Escrituras.

– É importante, porém, verificar que, antes desta “fixação”, houve a “inspiração” e podemos identificar, basicamente, quatro períodos de inspiração das Escrituras.

– “A primeira onda de inspiração” teve início com Moisés, o profeta que teve um singular relacionamento com Deus, com quem Deus falou “boca a boca” (Nm.12:6-8) e um dos aspectos deste “falar boca a boca” é, sem dúvida, a inspiração para escrever os livros da Torá, o livro de Jó e o Salmo 90.

– Segundo a tradição hebraica, a Torá foi complementada por Josué (na parte que narra a morte de Moisés) e o próprio Josué escreveu o livro que leva seu nome, instante em que se encerra a “primeira onda de inspiração”, que está fundamentalmente ligada à constituição de escritos necessários ao filhos de Israel que se tornavam, então, um povo, a “propriedade peculiar de Deus entre os povos” (Cf. Ex.19:5,6).

– A segunda “onda de inspiração” somente ocorreria quando a Palavra de Deus volta novamente a ser proferida a Israel, depois do tenebroso período dos juízes, quando passa a haver visão manifesta (Cf. I Sm.3:1), que é o período do profeta Samuel, o primeiro dos profetas que, seguidamente, iriam ser levantados por Deus para falar ao povo até os dias de Malaquias.

– Samuel irá redigir o livro de Juízes, Rute e iniciar o livro de Samuel (que seria dividido em dois quando da tradução do Antigo Testamento para o grego no período intertestamentário), que será complementado por Natã e Gade. Assim o diz a tradição judaica, que tem respaldo em I Cr.2- O Novo Testamento começou a ser escrito poucos anos depois da ressurreição e ascensão do Senhor Jesus. Há discussão qual teria sido o primeiro livro a ser escrito. Uns entendem que foi a carta de Tiago, que teria sido escrita entre 45 e 50; outros acham que foi a primeira carta de Paulo aos tessalonicenses, que teria sido escrita entre 50 e 51. De qualquer maneira, como Nosso Senhor e Salvador morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus em 29, isto faz com que a inspiração para a redação das Escrituras se iniciou cerca de 20 anos depois do início da evangelização a partir do dia de Pentecostes.

– Tenha sido Tiago ou I Tessalonicenses, o fato é que, em ambos os casos, os autores foram incomodados pelo Espírito Santo a reduzir a escrito os seus ensinos, ensinos que eram a razão de ser da perseverança da Igreja (Cf. At.2:42), tendo em vista o impedimento de continuar a fazê-lo pela forma oral, como se fizera até então.

– Com efeito, Tiago, pastor da igreja em Jerusalém, verificava que a dispersão dos membros da igreja de Jerusalém que decorreu da primeira grande perseguição contra a igreja, chefiada por Saulo de Tarso (Cf. At.8:1,2; 11:19,20) era algo que não haveria de cessar, apresentava-se como circunstância duradoura, sendo, portanto, necessário instruir aqueles irmãos e o faz por meio de uma epístola.

– De igual modo, Paulo, impedido de retornar para Tessalônica, onde deixara inacabado o trabalho do discipulado por causa da perseguição (Cf. At.17:1-10; I Ts.2:17,18), entendeu ser necessário também escrever àqueles irmãos, para completar aquele trabalho, considerando que fora insuficiente a ida de Timóteo até lá (Cf. I Ts.3:1,2).

– O Espírito Santo, então, retomava a ação que empreendera a partir de Moisés, a fim de completar o trabalho de formação das Escrituras, fazendo com que tudo quanto fora ensinado pelo Senhor Jesus ficasse registrado e, desta forma, pudesse a Igreja, com a mesma confiabilidade e longevidade que tivera a revelação dada a Israel, poder anunciar a salvação até a volta do Senhor Jesus. Afinal de contas, não era papel do Espírito fazer com que os salvos se lembrassem do que Jesus havia dito e anunciar o que dizia respeito ao Filho (Cf. Jo.14:26; 16:13,14)?

– Tem início, então, o momento final da revelação das Escrituras, a “quinta e última onda da inspiração”, que abarca o Novo Testamento entre os anos 50 e 96.

– O Novo Testamento possui uma estrutura similar ao do Antigo. O Antigo começa com a “lei”. Na nova aliança, a “lei” é o “Evangelho” e, deste modo, temos os quatro Evangelhos, que nos apresentam a vida e a obra de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

– É emblemático que o Novo Testamento seja consensual entre todos os segmentos que se dizem cristãos, numa comprovação de que nem esta dissensão conseguiu o inimigo de nossas almas fazer prevalecer sobre a Igreja. Trata-se, sem dúvida, de um zelo divino para que se evitasse a confusão. É também uma demonstração de que nem o Novo Testamento é obra da Igreja, como dizem os romanistas, mas, sim, do Espírito Santo, que, desde os primeiros tempos, como nos mostra o concílio de Jerusalém (At.15), estava ensinando a Igreja, anunciando o que é de Jesus, guiando a Igreja em toda a verdade (Jo.14:26; 16:13,14).

– Os concílios e sínodos que se reuniram e apresentaram as listas dos livros inspirados tão somente certificaram, atestaram o que havia sido ensinado e autenticado pelo Espírito Santo. Assim, não foi a Igreja quem criou a Bíblia, mas Deus que deu a Bíblia à Igreja (Sl.68:11a). Como afirma a Declaração de Chicago sobre a inerrância bíblica em seu artigo I: “Afirmamos que as Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus. Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana”

– Os evangelhos são quatro, pois cada um apresenta Cristo sob um aspecto, pois sendo ele a Esperança da Glória (Rm.5:2; Cl.1:27), a o Unigênito do Pai com toda a Sua glória (Jo.1:14), tinha de Se apresentar sob os quatro perfis vistos pelo profeta Ezequiel quando teve as duas visões dos querubins (Ez.1 e 10).

– Assim, Jesus é apresentado como rei (evangelho segundo Mateus – rosto de leão da visão de Ezequiel), como servo (evangelho segundo Marcos – rosto de boi da visão de Ezequiel), como homem (evangelho segundo Lucas – rosto de homem da visão de Ezequiel) e como Deus (evangelho segundo João – rosto de águia da visão de Ezequiel).

– Depois dos Evangelhos, temos o livro histórico, o livro de Atos dos Apóstolos, que narra o início da história da Igreja, assim como temos, no Antigo Testamento, os livros históricos depois da lei.

– Após o livro de Atos, vêm as epístolas, que são as explanações doutrinárias a respeito do Evangelho, os ensinos que os apóstolos davam à Igreja e que quis o Senhor ficassem registrados para as gerações futuras. Começando das epístolas de Paulo, que são treze (Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemom), a epístola aos Hebreus (cuja autoria é discutida) e as epístolas de Tiago, Pedro (duas), João (três) e Judas.

– Assim como no Antigo Testamento, após os livros históricos foram postos os chamados livros poéticos, que contém ensinamentos, também se puseram as epístolas após Atos.

– Por fim, vem o livro profético do Novo Testamento, o Apocalipse, que encerra a inspiração, sendo o livro diametralmente oposto ao do Gênesis, onde se encerra tudo quanto lá se iniciou, trazendo as coisas que brevemente devem acontecer.

– No término do Apocalipse, o próprio Espírito indica o final da inspiração, proibindo o acréscimo ou a retirada de tudo quanto foi revelado (Ap.22:18,19).9:29.

Conclusão: Os critérios para avaliação da canonicidade são a inspiração, o reconhecimento e a preservação dos livros como Palavra de Deus. A comprovação desses critérios revela que as Escrituras foram aceitas e preservadas como livros autorizados por Deus. Em João 5:39, Jesus confirma as Escrituras dizendo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”. Amém


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